Dia Mundial da Água: ASA celebra data na abertura do VII EnconASA

Publicado março 23, 2010 por festadasementedapaixo
Categorias: Semente da Paixão

Acesso à água no semiárido será um dos temas do Encontro Nacional da ASA

“A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como é a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura”. Em seu artigo 2º, a Declaração Universal dos Direitos da Água, documento da Organização das Nações Unidas (ONU), defende que o acesso à água é um dos direitos fundamentais do ser humano. Apesar disso, no semiárido brasileiro ainda há muitas famílias que sofrem com a falta de água.

Essa região do Brasil é conhecida por longos períodos de estiagem, que associados à falta de infraestrutura descentralizadas de armazenamento e abastecimento de água, impõem uma situação de insegurança hídrica à população. Nos últimos 10 anos, a Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) tem trabalhado para que essas pessoas possam ter garantido o direito de ter água de qualidade e em quantidade para o consumo e produção de alimentos.
Através do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), já foram construídas mais de 288 mil cisternas, reservatórios capazes de armazenar até 16 mil litros de água de chuva para o consumo humano, beneficiando 1,3 milhão de pessoas.

Já o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) constrói tecnologias para captação de água que é utilizada na produção de alimentos. Até o momento já foram construídas 4.127 cisternas-calçadão, 215 barragens subterrâneas e 141 tanques de pedra, beneficiando aproximadamente 28 mil pessoas.

Devido à importância desta temática, a Articulação escolheu o 22 de março, o Dia Mundial da Água, para dar inicio ao VII Encontro Nacional da ASA (EnconASA). O evento acontece até sexta-feira (26), no Auditório do Complexo Multieventos da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Juazeiro (BA).

Além do acesso à água, outros temas serão discutidos durante o VII EnconASA: o acesso à terra, a educação contextualizada, a economia popular e solidária, a segurança alimentar, a soberania alimentar, auto-organização e direito das mulheres e a biodiversidade. Os participantes irão debater esses assuntos, apresentando alternativas e compartilhando conhecimentos. Também serão realizadas visitas a experiências de convivência com o semiárido relacionadas a cada uma dessas temáticas.

DIA MUNDIAL DA ÁGUA – Em 22 de março de 1992, a ONU criou o Dia Mundial da Água, para reflexão, análise, conscientização e elaboração de medidas práticas para resolver o problema da poluição e o desperdício da água doce. Em um futuro próximo poderá faltar água para o consumo de grande parte da população mundial. Nesta data a ONU divulgou também a “Declaração Universal dos Direitos da Água”, documento que apresenta medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água.

Assessoria de Imprensa
Nacional
Mariana Mazza
(81) 2121.7603/9772.2882/8629.2788
mariana@asabrasil.org.br
Viviane Brochardt
(81) 2121.7602/9913.3044
viviane@asabrasil.org.br

Estadual (BA)
Raquel Salama
(71) 3356.8013/9925.6684
raquelsalam@gmail.com

Local
Raimundo Fábio
(74) 3611.6481/8813.8784
fabio@irpaa.org

Fonte: Assessoria de comunicação da ASA

Disponível em: https://www.planalto.gov.br/Consea/exec/index.cfm

Semente da Paixão no dia de São José

Publicado março 23, 2010 por festadasementedapaixo
Categorias: Semente da Paixão

“Choveu no dia de São José
Pedra de sal derreteu
Vou fazer minha fogueira
Na ciência do meu povo nordestino
Desde que eu era menino
Aprendi com a natureza
Na experiência que só se faz nesse mês
No dezenove do três
Eu já sei se tem colheita.”

Choveu no dia de São José!

E na Festa da Semente da Paixão celebrou-se a vida, a soberania alimentar!

Clique aqui e veja os vídeos da TV Paraíba do Dia de São José e da Semente da Paixão

Agricultores da Paraíba participam da Festa da Semente da Paixão

Publicado março 22, 2010 por festadasementedapaixo
Categorias: Semente da Paixão

Agricultores da Paraíba participam, no município de Lagoa Seca, da Festa da Semente da Paixão. Em muitas famílias, os grãos distribuídos durante o evento são guardados por muitas gerações.

Na associação dos agricultores no sítio Pai Domingos, em Lagoa Seca, município que fica no agreste da Paraíba, os grãos ficam guardados até serem entregues aos produtores.

Mas a maioria dos agricultores tem o costume de guardar as sementes dentro de casa. Esse é o caso da dona Catarina. A tradição persiste há anos e que passa de geração para geração.

Há cinco anos é realizada a Festa Semente da Paixão, que reúne produtores de todo o Estado. “São materiais de um valor genético muito grande para as populações que cultivam e vivem da agricultura”, falou o agrônomo Luciano Silveira.

O agricultor Joaquim Pedro guarda os grãos de fava da família há 50 anos e se sente orgulhoso por ser um guardião das sementes.

Nesta sexta-feira, a Festa da Semente da Paixão será realizada no município de Campina Grande.

Leia a reportagem no Globo Rural

Encaminhamentos do Primeiro dia de Festa!

Publicado março 18, 2010 por festadasementedapaixo
Categorias: Semente da Paixão

Como resultados da discussão do primeiro espaço da manhã  do dia 18 de março, intulado como “Contexto atual das políticas de sementes para o semiárido e perspectiva de integração das sementes da paixão nos programas públicos” surgiram as seguintes sugestões:
- Levar a discussão sobre a política e programas de distribuição de sementes para o Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável;
- Aproveitar os resultados do projeto de Transição Agroecológica em parceria com CNPQ, Embrapa Tabuleiros Costeiros e ASA-PB e instalar novos ensaios de avaliação/comparação de variedades de sementes da paixão;
- Paricipar do programa de produção de sementes do MDA/Embrapa, implantando quatro unidades demonstrativas de produção de sementes da paixão por dentro do programa;
- Inserir novas variedades de milho produzido pela Embrapa para serem multiplicadas através do Projeto de Produção de Sementes do MDA/Embrapa para e com a Agricultura Familiar no Estado da Paraíba;
- Lutar para que as Sementes da Paixão entrem nos Programas de Distribuição de Sementes do Governo em 2011.

Poesia do Seu Joaquim

Publicado março 18, 2010 por festadasementedapaixo
Categorias: Uncategorized

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VII ENCONASA

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Representando a ASA Paraíba

Estamos aqui com alegria

Com união e com força

Com coragem e sabedoria

Lutar com dignidade

Pela biodiversidade

E pela aroecologia.

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Lutar pela agroecologia

Nós achamos uma beleza

Dizer não aos agrotóxicos

Também temos clareza

Lutamos diariamente

Zelando o meio ambiente

Defendendo a natureza.

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Toda a ASA tem clareza

Dessa forma de lutar

Sabemos que neste caminho

Nós iremos lá

É o projeto da gente

Defender o meio ambiente

E a soberania alimentar!

Encontro Nacional celebra 10 anos da ASA e discute novas perspectivas de convivência com o Semiárido

Publicado março 17, 2010 por festadasementedapaixo
Categorias: Uncategorized

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O município baiano de Juazeiro sediará, entre os dias 22 e 26 de março, o VII EnconASA – Encontro Nacional da Articulação no  Semiárido Brasileiro. Estão sendo esperadas cerca de 500 pessoas, vindas de todos os estados do Nordeste  e  de Minas Gerais.

Com o tema ASA – 10 Anos Construindo o Futuro e a Cidadania no Semiárido, o evento pretende celebrar os 10 anos da entidade, além de avaliar e discutir as novas perspectivas da convivência com o semiárido dentro do atual contexto sócio-político e econômico do país.

O encontro também será um espaço de debate sobre o Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semi-Árido e suas duas estretégias: o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), além de outras experiências bem sucedidas que estão sendo desenvolvidas na região.

Durante o encontro, os participantes conhecerão experiências de comunidades rurais, quilombolas, indígenas, agricultores e agricultoras familiares, organizações não-governamentais, cooperativas, sindicatos, federações, pastorais,  de todo semiárido.  O evento também contará painéis e oficinas temáticas sobre os seguintes temas: acesso à terra, acesso à água, segurança e soberania alimentar, economia popular e solidária, educação contextualizada, auto-organização e direito das mulheres e biodiversidade.

Quem quiser também poderá conhecer mais sobre o semiárido através da Feira de Sabores e Saberes,  que será realizada nas noites dos dias 23 a 25, na orla  do rio São Francisco, onde cada estado  irá mostrar e comercializar seus produtos da agricultura familiar, fortalecendo a prática da  economia  solidária.

O Encontro Nacional da ASA é o espaço  político mais importante da Articulação no Semi-Árido (ASA), que acontece, geralmente, a cada dois anos. O evento é dedicado à discussão e avaliação das políticas públicas voltadas para a região e ao fortalecimento das experiências de convivência com o semiárido. O EnconASA é também um momento de intercâmbio de cultura, valores e conhecimentos entre aqueles que buscam, em conjunto, construir um semiárido mais próspero, onde o acesso à água e à terra seja apenas o primeiro passo para uma vida digna na região.

A Articulação no Semi-Árido Brasileiro é um fórum de organizações da sociedade civil, que luta pelo desenvolvimento social, econômico, político e cultural do semiárido brasileiro, desde 1999. Atualmente, mais de  mil  entidades dos mais diversos segmentos, como igrejas católicas e evangélicas, ONGs de desenvolvimento e ambientalistas, associações de trabalhadores rurais e urbanos, associações comunitárias, sindicatos e federações de trabalhadores rurais, fazem parte da ASA.

A principal ação da ASA é o Programa de Formação e Mobilização para a Convivência com o Semiárido, que divide-se  da seguinte forma :  Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC)  e  Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) .

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Serviço
VII Encontro Nacional de Articulação no Semiárido Brasileiro
Quando: 22 a 26 de março
Local: Complexo Multieventos da Univasf, Juazeiro-BA
Assessoria de Imprensa

Nacional
Mariana Mazza - mariana@asabrasil.org.br
(81) 2121-7603 / 9772-2882/ 8629-2788
Viviane Brochardt  viviane@asabrasil.org.brasacom@asabrasil.org.br
(81) 2121.7602/ 99130-3044

Estadual (BA)
Raquel Salama -raquelsalam@gmail.com
(71) 3356-8013/ 9925-6684

Local
Raimundo Fábio - fabio@irpaa.org
(74) 3611-6481/ 8813-8784

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Fonte: Assessoria de Comunicação da ASA

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Disponível em: https://www.planalto.gov.br/Consea/exec/index.cfm

Paraibanos celebram a paixão pelas sementes tradicionais

Publicado março 17, 2010 por festadasementedapaixo
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Entidades que compõem a Articulação do Semiárido Paraibano (Asa Paraíba) celebram nas próximas quinta e sexta-feira (18 e 19) a paixão pelas sementes tradicionais, durante a quinta edição da Festa Estadual da Semente da Paixão. Na quinta (18), o encontro é em Lagoa Seca. Na sexta (19), em Campina Grande.

O tema da celebração é “Guardiões da semente da paixão: em defesa da agricultura familiar camponesa”. Os organizadores estimam que mais de 1.400 pessoas participarão do evento. São agricultores e agricultoras de todas as microrregiões da Paraíba: Alto e Médio Sertão, Curimataú, Cariri, Agreste e Litoral.

“A ocasião é de resgate e valorização da importante contribuição das famílias camponesas para a diversidade das sementes, moedas de um patrimônio genético que por séculos foi cultivado, selecionado, aprimorado e ajustado às realidades ecológicas locais e às preferências culturais”, diz o informe da entidade.

“A festa é o momento de reverenciar esse incessante processo de estudo e seleção, que concede autonomia às famílias no uso de suas sementes, na produção de alimentos e na geração de riquezas”, complementa.

Na quinta-feira, em Lagoa Seca, cerca de 200 agricultoras e agricultores participarão de uma oficina de formação, que tem como objetivo abrir um espaço para a construção coletiva de uma crítica ao conjunto de forças e fatores que ameaçam a agrobiodiversidade e a autonomia das famílias agricultoras.

Na sexta-feira, em Campina Grande, será celebrado o Dia de São José, o santo do sertanejo. É nesse dia que, pela tradição, os sertanejos olham para o céu para ver se o tempo será seco, nublado, chuviscado ou molhado – elementos fundamentais do cálculo da meteorologia tradicional para saber se as chuvas virão em abundância ou não.

As famílias agricultoras de todo Nordeste plantam o milho no dia de São José para comemorar a safra no dia de São João (25/06). A data do padroeiro não poderia ser mais propícia para realizar a caminhada Em defesa da Agricultura Familiar Camponesa: por uma Paraíba Livre de Transgênicos e Agrotóxicos.

Durante a marcha, serão distribuídos panfletos como forma de sensibilizar os consumidores quanto aos riscos à saúde e à soberania alimentar decorrentes da liberação das sementes transgênicas, de propriedade de um número reduzido de grandes empresas transnacionais.

Haverá também a montagem da Feira de Sementes, Saberes e Sabores, fazendo alusão a toda riqueza proporcionada pelas sementes locais, que se traduz em valioso conhecimento transmitido de geração para geração.

Após a caminhada, será realizado um ato público, com diversas atividades, como teste de contaminação de cultivos tradicionais por sementes transgênicas, depoimentos de agricultores, dramatização sobre os riscos à saúde das famílias e dos consumidores e falas de representantes de órgãos governamentais.

A expectativa é que a V Festa da Semente sensibilize gestores públicos e a sociedade quanto ao direito de milhares de famílias agricultoras a continuar preservando e manifestando sua paixão pelas sementes tradicionais, por sua terra, pela Natureza, pela biodiversidade e por sua autonomia.

Informações
Emanoel Dias (83) 9973-1582
Glória Batista (83) 9999-1790
Euzébio Cavalcanti (83) 9612-6768

Disponível em: https://www.planalto.gov.br/Consea/exec/index.cfm

Biotecnologia precisou de 40 anos para desenvolver dois ‘truques’, afirma pesquisador canadense

Publicado março 14, 2010 por festadasementedapaixo
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Pat Mooney aponta que mercado transgênico está estagnado, mas alerta que vem aí a nanobiotecnologia, que tem o Brasil entre os candidatos a sede dos primeiros testes
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Para o ganhador do "Girafa Awards" Pat Mooney está nas mãos dos pequenos agricultores a biodiversidade mundial
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PORTO ALEGRE – Com 30 anos dedicados à pesquisa sobre biotecnologia e biodiversidade, Pat Mooney considera que trabalha com um assunto tedioso. Não que os efeitos dos organismos geneticamente modificados (OGMs) e dos produtos que os acompanham, em especial agrotóxicos, não sejam sentidos ao redor do mundo, longe disso.
Mas, na visão do canadense que dedica sua vida a detectar problemas nessa área, a biotecnologia leva quatro décadas de pesquisas para conseguir dois “truques”: plantas tolerantes a certos herbicidas e mais resistentes a insetos. De resto, apenas a lamentar que quatro empresas controlem o mercado mundial de sementes, contra mais de 7 mil que o faziam em 1970.
Esse tédio todo, no entanto, está prestes a acabar. O diretor-executivo do ETC Group (Grupo Etcétera) alerta que estão em curso pesquisas sobre nanobiotecnologia, na qual não se alteram as partes genéticas dos organismos, mas se reconstroem as mesmas. Pode-se construir literalmente o que quiser, mas os efeitos disso, ninguém sabe.
O ganhador de um prêmio Girafa Awards, uma de suas muitas condecorações, justifica a honraria ao esticar novamente o pescoço para ver – e contar – o que as empresas que controlam a biotecnologia estão preparando.
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Nanotecnologia e biotecnologia na agricultura
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A biotecnologia é usada no campo há 40 anos e ainda não conseguiu ir muito longe. Ainda é muito pouco significativa, tem presença em cinco países e com apenas quatro empresas. Elas de fato só têm dois “truques”.
Um é a tolerância a herbicida e, o outro, resistência a insetos. A primeira é apenas aumentar as vendas de herbicidas produzidos. Está estagnado. Vem crescendo um pouco por causa da China e da África do Sul, mas é uma tecnologia precária que não funciona tão bem.
O que vemos agora é um movimento novo das empresas de olhar para um outro nível dessa tecnologia, que poderia ser chamada de “nano”, mas é mais “nanobiotecnologia”. Em vez de mover alguns genes, como se faz em biotecnologia de uma espécie para outra, a estratégia agora é construir o DNA do começo ao fim.
Isso é feito basicamente com quatro açúcares, chamados de A, C, D e G. Essas quatro substâncias são anexadas em um sintetizador genético – que é muito barato, pode-se comprar um usado na internet por US$ 400 – e se constrói, com um notebook, o gene de uma planta.
Ajusta-se o gene com DNA artificial – não é mover um gene, é construir do zero. Isso é chamado de nanobiotecnologia ou biologia sintética. Há mais investimentos nisso do que em biotecnologia, muito mais. Em breve, vamos ver isso nos campos. Muito em breve.
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Há limites para isso no Canadá?
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Ainda não, mas vai haver, eu acho. É muito chocante a tecnologia, e muitos cientistas trabalhando nisso, especialmente no setor público, têm medo. É impressionantemente perigoso. Há um esforço para promover uma regulação, mas no momento não há. Não é uma transformação de genes nem a transferência de uma espécie para outra, e isso dribla as regras relacionadas a biossegurança definidas pela convenção de biodiversidade.
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Há iniciativas correlatas em outras partes do mundo?
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Tem sido experimentado nos Estados Unidos, grandes investidores são empresas de energia e a indústria química e de sementes. DuPont, Exxon, BASF, British Petroleum e o governo dos EUA. Mas não há produtos comerciais no campo ainda. Um dos primeiros lugares onde vai ser testado, no entanto, deve ser o Brasil, porque vem sendo testado por empresas de açúcar brasileiro junto à Universidade de Berkeley, na Califórnia, para desenvolver formas sintéticas de cana-de-açúcar.
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Concentração
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Há três ou quatro empresas que trabalham com biotecnologia. Entre elas, a Monsanto é disparadamente a maior. DuPont e Syngenta são grandes companhias que vêm atrás, seguidas de Dow Chemical Company em quarto. Essas quatro controlam metade do suprimento de sementes pelo mundo. As mesmas quatro controlam cerca de 95% das sementes geneticamente modificadas. São muito dominantes. As três primeiras controlam o mercado de pesticidas. Seu sucesso não se dá com ciência, mas em controlar sementes e pesticidas ao mesmo tempo. É sua vitória.
A biotecnologia é apenas a ferramenta usada para convencer governos e outras empresas de que, primeiro, deve haver proteção de patentes. Segundo, devem ser desmontadas políticas anticartel nos países para permitir fusões de empresas de pesticidas e, terceiro, se livrar de empresas públicas do setor, como a Embrapa, USDA (nos EUA), e outros.
Não fazem mais pesquisas públicas para fazendeiros, mas para empresas. Conseguiram isso. Em 1970, havia 7 mil empresas de semente no mundo e nenhuma tinha sequer 1% do mercado. Hoje, temos três ou quatro que dominam o setor.
O objetivo dessas empresas nunca foi combater a fome, resolver problemas ambientais, mas assumir o controle do mercado. A proposta com nanobiotecnologia ou biologia sintética é exatamente a mesma, garantir controle de biocombustíveis, bioalimentos, biocosméticos, tudo o que pode ser produzido pelo carbono vivo.
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Insegurança alimentar
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É uma situação perigosa, porque sabemos que em regiões tropicais e subtropicais pode haver perdas de colheita por causa da mudança climática nos próximos 20 a 40 anos, o que pode trazer reduções em qualquer parte de 20% a 50% da produção total.
Estamos em um momento peculiar. De onde eu venho, dizem que, se o planeta esquentar, poderíamos plantar coisas ao norte, mas tudo o que há ao norte são rochas, não serve para plantar comida.
O que temos é um extraordinariamente não-inovador – realmente tedioso – tipo de companhias que dominam o suprimento de sementes que não têm qualquer capacidade de pesquisa para responder à mudança climática.
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Biodiversidade nas mãos dos pequenos
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A boa notícia é que temos uma diversidade incrível ainda nas mãos de camponeses pelo mundo. É uma diversidade linda. Soa emocionante dizer que pequenos fazendeiros vão salvar o mundo, que têm diversidade, conhecimento, que são maravilhosos e tal, mas são as empresas que têm o dinheiro e muita pesquisa.
Aqui está a realidade. Desde 1960, as empresas juntas produziram 72,5 mil variedades principalmente de plantas de 12 espécies: trigo, arroz, milho, soja etc. Isso entre as espécies usadas para alimentar pessoas, porque, de todas essas, nos últimos 50 anos, 59% são flores, não comida. No mesmo período de 50 anos, camponeses produziram 1,9 milhão de variedades de plantas de 7 mil diferentes espécies de todo tipo de tubérculos, ervas, feijões etc.
As empresas não prestaram atenção. Sabemos que são 1,9 milhão porque é o que entregaram a bancos nacionais de genes, sabemos que está lá. De um lado, 72 mil e, do outro, 1,9 milhão; de um lado, 12 espécies, do outro, 7 mil.
Se vamos sobreviver à mudança climática, precisamos de toda a diversidade que esses fazendeiros têm – e ninguém mais. Do ponto de vista da indústria de estoques vivos, quatro empresas controlam o setor com cinco espécies – frango, vaca, porcos, ovinos e caprinos.
Dessas cinco, trabalha-se com apenas cem raças. Fazendeiros, no mesmo período, trabalham com 40 espécies e quase 8 mil raças que ninguém mais tem. Se temos diversidade, precisamos usá-la, o que quer dizer auxílio financeiro para garantir aí uma forma de sobreviver.
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Mudança de hábito
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Em países como o Canadá, onde menos de 3% da população é de fazendeiros, as pessoas estão se tornando mais preocupadas com a origem de seus alimentos. Acredito que isso vem crescendo. Alguns fazem movimentos por produtos orgânicos e produzidos em regiões próximas.
Isso explodiu nos últimos três ou quatro anos. É bem maior do que costumava ser. Neste período do ano estamos no meio do inverno, temos o Sábado da Semente, em que as pessoas trocam sementes. São grandes encontros entre fazendeiros e gente que cultiva plantas em seus jardins.
Costumava haver três dessas, agora são 50 em cidades grandes e pequenas, envolvendo dezenas de milhares de pessoas querendo cultivar alimentos em seus quintais. O objetivo no Canadá é aumentar em 40% o cultivo de vegetais e frutas em nossos jardins urbanos.
A mudança de atitude leva a apontar a indústria com desconfiança, de não acreditar nela para garantir a nutrição e necessidades, por isso é preciso trabalhar com fazendeiros. É ainda maior na Europa e está crescendo nos Estados Unidos, e também no Brasil. Há oito ou 10 anos, estive em Porto Alegre para um encontro de troca de sementes, e a Usina do Gasômetro ficou completamente lotada.

Biotecnologia precisou de 40 anos para desenvolver dois ‘truques’, afirma pesquisador canadense
Pat Mooney aponta que mercado transgênico está estagnado, mas alerta que vem aí a nanobiotecnologia, que tem o Brasil entre os candidatos a sede dos primeiros testesPor: João Peres, Rede Brasil Atual
Publicado em 12/03/2010, 12:52
Última atualização às 12:54
Para o ganhador do “Girafa Awards” Pat Mooney está nas mãos dos pequenos agricultores a biodiversidade mundialPORTO ALEGRE – Com 30 anos dedicados à pesquisa sobre biotecnologia e biodiversidade, Pat Mooney considera que trabalha com um assunto tedioso. Não que os efeitos dos organismos geneticamente modificados (OGMs) e dos produtos que os acompanham, em especial agrotóxicos, não sejam sentidos ao redor do mundo, longe disso.
Mas, na visão do canadense que dedica sua vida a detectar problemas nessa área, a biotecnologia leva quatro décadas de pesquisas para conseguir dois “truques”: plantas tolerantes a certos herbicidas e mais resistentes a insetos. De resto, apenas a lamentar que quatro empresas controlem o mercado mundial de sementes, contra mais de 7 mil que o faziam em 1970.
Esse tédio todo, no entanto, está prestes a acabar. O diretor-executivo do ETC Group (Grupo Etcétera) alerta que estão em curso pesquisas sobre nanobiotecnologia, na qual não se alteram as partes genéticas dos organismos, mas se reconstroem as mesmas. Pode-se construir literalmente o que quiser, mas os efeitos disso, ninguém sabe.
O ganhador de um prêmio Girafa Awards, uma de suas muitas condecorações, justifica a honraria ao esticar novamente o pescoço para ver – e contar – o que as empresas que controlam a biotecnologia estão preparando.

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Por: João Peres, Rede Brasil Atual

Campina Grande troca sementes em nome da biodiversidade

Publicado março 14, 2010 por festadasementedapaixo
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Quinta edição da Festa da Semente da Paixão deve reunir em torno de 1.500 produtores rurais que vão debater alternativas ao uso de agrotóxicos e a resistência aos transgênicos
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A cidade de Campina Grande sedia na próxima semana um encontro a favor da preservação da biodiversidade e, por consequência, de garantia da soberania alimentar. A Festa da Semente da Paixão chega à quinta edição com expectativa de receber 1.500 produtores rurais interessados na troca de informações sobre as mudanças na agricultura na Paraíba e no mundo.
O encontro, de caráter itinerante, é realizado por diversas organizações da região, entre elas a Articulação do Semi-árido Nordestino na Paraíba (ASA). Neste ano, o centro das discussões são os chamados “guardiães das sementes da paixão”, ou seja, os responsáveis pela preservação das sementes crioulas (tradicionais).
A Paraíba tem uma condição diferente da vista em outros estados brasileiros. Boa parte das propriedades são de agricultores familiares que priorizam a policultura, com produção de subsistência ou para comercialização regional.
Emanoel Dias, assessor técnico da AS-PTA (entidade que organiza projetos de agroecologia) e integrante da ASA, lembra que há mais de 220 bancos de sementes comunitários paraibanos, nos quais os produtores contribuem com variedades crioulas em caráter de empréstimo. A retirada de uma determinada quantidade implica em uma devolução um pouco maior na próxima safra como forma de garantir que cada vez mais agricultores possam aderir ao programa.
“O sentido de guardar sementes é milenar. A criação de bancos tem um caráter simbólico, é onde você deposita suas riquezas. Além dos bancos comunitários, cada família tem o seu banco próprio, e isso é impossível dimensionar”, afirma.
A Festa da Semente da Paixão é dividida em dois dias. Na quinta-feira (18), os agricultores traçam um painel da atual situação regional e grupos de trabalho em cada região fazem uma previsão de como será o ano agrícola. O dia seguinte (19) é marcado por uma caminhada na qual se aproveita para falar à população em geral sobre os riscos dos agrotóxicos.
A data de 19 de março, para o nordestino, não é um dia qualquer. Reza a cultura popular que, se chover no Dia de São José, o plantio de milho deve ser feito na mesma data para que a colheita possa ser realizada a tempo das festas de São João, em junho.
A cada ano, os agricultores que defendem os cultivos tradicionais veem uma ameaça chegando pelo retrovisor. A Paraíba não tem produção de transgênicos em escala comercial, mas já há variedades de milho e de algodão liberados para plantio no Brasil, e a discussão sobre organismos geneticamente modificados (OGMs) é cada vez mais presente na pauta da Festa da Semente da Paixão.
“A gente não tem como impedir a chegada de transgênicos aqui. Por isso, nossa arma é a formação dos agricultores. Se tivermos pessoas conscientes do risco, vamos fortalecer nossa região”, afirma Emanoel Dias.
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Biodiversidade
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A importância de que pequenos agricultores façam seus próprios bancos de semente está comprovada em números. Pat Mooney, canadense que há 30 anos trabalha com a biodiversidade, aponta que as quatro empresas que dominam o mercado de biotecnologia produziram, desde 1960, 72,5 mil variedades de plantas de 12 espécies, a grande maioria de flores, e não de alimentos. No mesmo período, os camponeses produziram 1,9 milhão de variedades de plantas a partir de 7 mil diferentes espécies de todo tipo.
“Se vamos sobreviver à mudança climática, precisamos de toda a diversidade que esses fazendeiros têm – e ninguém mais. (…) Se temos diversidade, precisamos usá-la, o que quer dizer auxílio financeiro para garantir aí uma forma de sobreviver”, diz, entre outras afirmações, em entrevista à Rede Brasil Atual.
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Por: João Peres, Rede Brasil Atual
Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/ambiente/campina-grande-troca-sementes-em-nome-da-biodiversidade

Sementes da Paixão na Paraíba

Publicado março 12, 2010 por festadasementedapaixo
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Na Paraíba, mais de 220 bancos de sementes comunitários já se articulam em rede para conservar dezenas de variedades locais resgatadas pelas próprias comunidades. Objetivos são recuperar a agrobiodiversidade local, reduzir a dependência de governos e articular os agricultores em torno de sementes nativas e bem adaptadas ao próprio Semi-Árido: as chamadas sementes da paixão

19/12/2008 – O banco de sementes comunitário de Montadas (PB) foi a redenção para o agricultor Joaquim Pedro de Santana, de 59 anos. Quando o inverno chega e as primeiras chuvas alardeiam a urgência de plantar, ele sabe que terá os 50 quilos de semente de que precisa para povoar os quatro hectares de sua propriedade com feijão, milho, batata-doce, macaxeira, guandu, sorgo e girassol. As sementes, ressalta mais de uma vez, são todas variedades locais e nativas bem adaptadas ao clima e ao solo da terra em que nasceu. Para quem acha que a origem da semente não importa, ele avisa: “Estas sementes foram passadas dos nossos bisavós aos nossos avós, deles para nossos pais e nós havemos de passar elas para frente. Elas são daqui têm tantos anos que a gente e a nossa terra já conhecem elas bem demais”.
O banco, explica Joaquim, funciona desde 2000 como um estoque comunitário por meio do qual cada família associada toma emprestada uma quantidade de sementes e se compromete, segundo regras definidas na própria comunidade, a devolver a mesma quantidade acrescida de uma percentagem no momento da colheita. A estocagem feita em garrafas pet, a entrega e a devolução das sementes são realizadas sob a gestão das 45 famílias agricultoras associadas ao banco, que trabalham com 20 variedades de semente.“Hoje um saco de 70 kg de feijão-de-arranque custa R$ 180. Com o banco a gente economiza, tem segurança e consegue resgatar nossa cultura”, diz.
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Rede de Sementes
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O banco comunitário de que Joaquim participa é apenas a ponta de um novelo que já reúne mais de 220 bancos comunitários em torno da Rede de Sementes da Paraíba, mobilizada pela Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA-PB). Juntos, eles abrigam cerca de 6,5 mil famílias, residentes em 63 municípios, e conservam mais de 300 variedades de milho, feijão, fava, mandioca, girassol, amendoim e espécies forrageiras e frutíferas resgatadas pelas próprias comunidades. “Se incluirmos os bancos familiares, esse número sobe para 15 mil famílias”, explica Vanubia Martins de Oliveira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Campina Grande (PB).
A idéia, avisa, é assegurar a sobrevivência da gigantesca agrobiodiversidade que resultou dos policultivos e das rotações de cultura no Semi-Árido pelas mãos da agricultura familiar, o que permitiu reunir uma enorme variedade genética de sementes que melhor se adaptaram aos diversos micro-climas da região. Para ilustrar o alcance desta biodiversidade, um diagnóstico citado pelo Programa de Aplicação de Tecnologias Apropriadas às Comunidades (Patac) identificou, em apenas seis comunidades, 67 variedades de três espécies – feijão-de-arranque (Phaseolus vulgaris), feijão-macassa (Vigna unguiculata) e fava (Phaseolus lunatus). “A manutenção dessa diversidade é muito importante para a estabilidade econômica e ecológica da agricultura familiar no Semi-Árido”, avisa Vanubia.
Segundo especialistas ouvidos pelo Portal da RTS,  esse modelo está ameaçado pelo tamanho cada vez mais reduzido das propriedades familiares, associado à irregularidade climática. É que os roçados, cada vez menores, dificilmente produzem o suficiente para atender às necessidades alimentares das famílias e recompor suas reservas de sementes para a safra seguinte. Para se ter uma idéia, a região Nordeste reúne hoje dois milhões dos estabelecimentos agrícolas familiares, que correspondem a 42% do total de unidades agrícolas do país. Cerca de 90% deles possuem menos de 100 hectares e 65% têm menos de 10 hectares, segundo estimativas da Embrapa. “A chuva está cada vez mais tarde. Aí, se a pessoa perde a safra, perde as sementes também”, afirma Joaquim
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Distribuição
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Outro fator de risco, segundo o movimento, é a distribuição aos agricultores, pelo governo, de sementes originárias de outras regiões do país.  Este ano, por exemplo, cerca de 184 mil famílias de agricultores familiares de seis estados do Semi-Árido brasileiro começaram a receber mais de 2.700 toneladas de sementes de milho e feijão, dentro do Programa de Sementes da Secretaria da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/MDA). Este é o terceiro ano do Programa. No primeiro (2006), foram distribuídas sementes para 40 mil famílias. Em 2007, este número aumentou para 92 mil famílias.
Os estados que receberão as sementes são Paraíba, Piauí, Alagoas, Bahia, Ceará e Minas Gerais. No total, este ano o Programa vai atender 184 municípios, em 18 Territórios da Cidadania. Cada agricultor vai receber 5 quilos de feijão e 10 quilos de milho. O público beneficiário são agricultores familiares que participam do Garantia-Safra. “O MDA rechaça transgênicos ou sementes híbridas. Essa ação realmente não deve ter o tamanho que tem hoje, mas não podemos abandonar os agricultores que precisam de semente para a próxima safra”, diz o assessor técnico do SAF/MDA, João Intini.
Segundo ele, a distribuição é apenas uma das pontas do Programa Sementes. A outra é justamente o fortalecimento dos bancos comunitários, considerado um eixo estruturador das ações da secretaria. “Queremos que o maior número possível de produtores se articulem em torno dos bancos. A distribuição gratuita não nos interessa, até porque, com os bancos, os agricultores perdem a dependência do governo”, explica. Ou seja, a meta é ampliar o fortalecimento dos bancos e de roçados comunitários para, progressivamente, reduzir a distribuição direta aos agricultores.
Para isso, a SAF pretende articular a demanda junto à Associação Nacional de Agroecologia.  Aliás, demanda para isso existe de sobra, diz Intini. Entre 2003 e 2006, por exemplo, a SAF disponibilizou chamadas para projetos no valor total de R$ 40 milhões. Apesar de não ser direcionado especificamente para este fim, R$ 4,5 milhões deste montante foram aplicados em sementes, dos quais R$ 1,5 milhão no Nordeste. “São projetos que apareceram espontaneamente e que mostram a mobilização dos bancos”, explica.
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Reaplicação
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Não existe um passo a passo para implantação de um banco de sementes. Contudo, diversas entidades da ASA-Paraíba vêm apostando em visitas de intercâmbio para que os agricultores possam conhecer outras comunidades que possuam bancos de sementes funcionando. “É importante também que as famílias possam fazer um diagnóstico ou mapeamento das principais sementes encontradas na comunidade e seu grau de importância para as famílias. Essa medida facilita uma leitura do patrimônio genético daquela comunidade, e ajuda a decidir quais sementes serão armazenadas, multiplicadas e resgatadas”, avisa Emanoel da Silva, agrônomo do Patac.
Em muitos municípios, explicam os membros da Rede, foram constituídas comissões de agricultores e agricultoras responsáveis por articular os bancos e administrar o complexo sistema de intercâmbios de conhecimentos e sementes. Assim, em cada uma das regiões do estado existem articulações dos grupos gestores dos bancos de sementes. “A Rede apenas articula estas microrregiões. Para isso, fazemos intercâmbios com agricultores-experimentadores e trocas de sementes”, diz Vanúbia.
Há, por exemplo, a Rede Sementes do Alto Sertão, que reúne 90 bancos de sementes. Na região da Borborema, o Pólo Sindical formou uma comissão de agricultores e agricultoras que gerencia uma rede de 80 bancos comunitários. No Cariri e no Seridó, o Coletivo Regional organiza a rede, articulando aproximadamente 200 agricultoras e agricultores inovadores. O mesmo ocorre no sertão, no Curimataú, no Coletivo ASA Cariri Ocidental (Casaco), no Fórum de Lideranças do Agreste (Folia), no brejo e no litoral.
A Rede Sementes da Paraíba, por sua vez, realiza suas avaliações e planejamentos por meio de uma comissão estadual composta por representações dessas diferentes redes microrregionais. Trata-se, portanto, de uma rede de redes. Cada comunidade ou região tem sua autonomia e formas próprias de gestão, mas todas se reúnem para a Festa da Semente da Paixão, momento de celebração que serve também para reafirmação política dos princípios do grupo, como no caso da crítica aos transgênicos. Ao todo já foram quatro edições. A próxima será em julho de 2009, quando os agricultores também vão aproveitar para trocar experiências.
“Mesmo estando numa mesma região, esses municípios têm características de solo, vegetação e pluviosidade que os diferenciam, e cada uma dessas particularidades exige um tipo de semente que se adapte melhor”, explica Emanoel.
Vanúbia vai além. É que, segundo ela, variedades diferentes de semente podem apresentar desempenho diferente num mesmo local se houver diferença marcante no regime de chuvas daquele ano, por exemplo. “Dependendo do inverno que se apresente, o agricultor sabe qual semente utilizar. Se chove muito, ele pode usar um tipo de feijão. Se chove pouco, usa outro”, diz.
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Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS
Texto extraído de: http://www.rts.org.br/noticias/sementes-da-paixao

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