ASA Paraíba participa de balanço sobre o primeiro ano da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido

Publicado dezembro 21, 2015 por festadasementedapaixo
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Na última sexta-feira, 18 de dezembro, representantes da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) participaram de uma reunião na sede da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido, em Campina Grande para realizar um balanço do primeiro ano da secretaria.

Além da ASA Paraíba, participaram representantes do Núcleo de Extensão em Desenvolvimento Territorial – NEDET Seridó, da Organização Não Governamental Arribaçã de Remígio-PB, da Cooperativa da Agricultura Familiar (Coopaf) de São Sebastião de Lagoa de Roça, da Cooperativa Trabalho Múltiplo de Apoio às Organizações de Auto Promoção (Coonap) de Campina Grande, do Banco do Nordeste, da Central Única dos Trabalhadores da Paraíba (CUT-PB), do Orçamento Democrático do Governo do Estado e lideranças agricultoras.

O Secretário da Agricultura Familiar, Lenildo Morais, iniciou a reunião fazendo um balanço das ações e dos desafios do primeiro ano da sua pasta. Em sua fala, o gestor colocou a crise econômica como um dos grandes desafios para o andamento das ações, pois a secretaria teve que funcionar com suplementações orçamentárias. Lenildo enumerou algumas ações da secretaria a exemplo do Cadastro Ambiental Rural junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a execução de duas mil barragens subterrâneas, o Garantia Safra no valor de mais de 9 milhões, o diálogo com o Instituto do Semiárido (INSA) para a construção de projetos de convivência com o Semiárido e com a Embrapa para experiência de captação de água, por fim o projeto de reordenamento da cultura do sisal no Curimataú dos estado.

O secretário finalizou a sua fala solicitando das entidades presentes que dessem sugestões de propostas para o Programa de Apoio à Infraestrutura nos Territórios Rurais (Proinf) do MDA. Após a fala do secretário foi aberta uma rodada de debate entre os presentes, todos eles saudaram a iniciativa dessa avaliação coletiva e elogiaram o diálogo que tem sido aberto com os movimentos sociais do campo, iniciativa fundamental para o fortalecimento das políticas públicas.

Glória Batista, coordenadora da ASA Paraíba saudou o diálogo e a boa relação da sociedade civil com a secretaria, mas cobrou uma afinação melhor entre o que está sendo desenvolvido pela secretaria nas regiões e a organização social pre-existente nos territórios citando como exemplo a construção de tantas barragens subterrâneas, se perguntando se seria a tecnologia adequada para realidades tão distintas.

A coordenadora colocou ainda a o tema da água e das sementes como prioritários: “O acesso à agua e as sementes é vital, hoje com as mudanças climáticas precisamos até redefinir o semiárido, pois temos regiões que antes a gente dizia Brejo, Agreste que hoje já não chove mais, então como olhamos para estas áreas e fazemos as políticas chegarem. Eu acho que aqui pelas nossas falas a água pode ser um tema que unifique a todos”, afirmou.

Edvan Farias, agricultor do município de São Domingos do Cariri lançou uma preocupação contra o uso irracional da água que o agronegócio vem fazendo por meio da ocupação de áreas nas margens dos rios, com uso de agrotóxicos e risco de contaminação das nascentes. Ele cobrou da secretaria de agricultura familiar um papel mais firma junto a outros órgãos do Governo do Estado no sentido de fazer um enfrentamento na defesa dos recursos naturais.

Antônio Carlos Pires de Melo, da Comissão Água da ASA Paraíba colocou a formação junto com o processo de implantação das infraestruturas, como primordial para a melhor utilização delas: “Sem a formação, sem compreender o papel e a importância daquela tecnologia dentro daquele agrossistema, não conseguiremos avançar. É preciso não só a formação de agricultores na construção das infraestruturas como a capacitação técnica das famílias para o uso e manejo dela. Precisamos estreitar o diálogo entre as experiências exitosas e a secretaria num ação comum, se não a gente corre o risco de desmoralizar aquela tecnologia”, disse.

Durante a reunião muitos participantes também citaram as obras da transposição do Rio São Francisco, para que se crie um espaço de discussão e ação em relação aos impactos negativos da obra sobre as comunidades atingidas e sobre uma auditoria para se chegar a um cronograma real do andamento da obra.

Outros assuntos debatidos foram o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Sementes, além da cobrança por parte dos representantes dos territórios por demandas específicas. Ficou encaminhada a reativação do Fórum Estadual da Agricultura Familiar e da Reforma Agrária e a formação de um calendário de acompanhamento e de reuniões entre os movimentos e a secretaria.

 

Áurea Olímpia Figueiredo Rêgo

 

Manifesto da ASA em Defesa da Democracia Brasileira

Publicado dezembro 14, 2015 por festadasementedapaixo
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O Brasil atravessa, no atual momento, forte crise político-institucional com enormes repercussões no campo econômico e social, o que se materializa no retorno da inflação, na paralisia econômica e aponta para um forte processo de recessão.

A culminância desta crise se manifesta, hoje, na tentativa de processo de impeachment da Presidenta da República Dilma Rousseff, em tramitação no Congresso Nacional, sem que ações levadas a efeito pela Presidenta justifiquem tal medida, fato que se caracteriza como tentativa de Golpe pelos setores conservadores da política nacional capitaneados por Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, e coloca em risco a democracia brasileira e o Estado de Direito.

Crescem na sociedade brasileira manifestações contrárias a esse processo retrógrado e antidemocrático. Neste sentido, a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) vem somar-se às vozes de artistas, juristas, intelectuais, instituições religiosas, organizações e movimentos sindicais e sociais que, historicamente, constroem a DEMOCRACIA E O ESTADO BRASILEIRO DE DIREITO e o faz nos termos em que já se manifestou em documento distribuído na V CONFERÊNCIA NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL e, igualmente, nos termos em que se manifestou, juntamente com várias organizações e movimentos sociais, no documento do ATO PÚBLICO EM DEFESA DO SEMIÁRIDO, realizado no dia 17 de novembro em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), e que reuniu mais de 18 mil pessoas, em defesa das políticas de Convivência com o Semiárido.

Nestas ocasiões, e agora, afirmamos que queremos assegurar a democracia brasileira conquistada pelo povo com muita luta. O Brasil e seu povo não podem ficar à mercê de caprichos e de investidas insanas. As eleições realizadas no ano passado ocorreram num processo democrático aberto e legítimo. Somos pela garantia do Estado de Direito, e assim, contra o impeachment, porque o que queremos é o aprofundamento de nossa democracia,
garantindo que o Estado esteja cada vez mais a serviço de todos e não apenas de alguns.

Ao tempo que denunciamos a tentativa de golpe, reafirmamos que a eleição realizada no ano passado não se configurou para nós como simples eleição de uma pessoa. Escolhemos um Programa de Governo que incluía, explicitamente, as políticas de Convivência com o Semiárido, conquistas do povo do Semiárido e compromisso da Presidenta em continuar sua implementação e de aprofundá-las e ampliá-las.

Por isso, nossa luta pela garantia de que governe quem pelo povo foi eleita, também traz no seu bojo a denúncia e cobrança para que o governo da Presidenta Dilma atenda as pautas de reivindicações das organizações e movimentos sociais como as políticas de Convivência com o Semiárido, o acesso à terra, a assistência técnica, a economia solidária, o direito efetivo à terra e ao território para as comunidades tradicionais, garantia do acesso à água, Bolsa Família e outras políticas que vêm transformando o Semiárido em espaço de vida. Infelizmente essas políticas, a partir do ajuste fiscal, estão sendo cortadas e ou radicalmente diminuídas, o que para nós é inaceitável.

NÃO AO GOLPE. NÃO AO RETROCESSO. NÃO AO AJUSTE FISCAL. POR UM SEMIÁRIDO VIVO,
NENHUM DIREITO A MENOS!

Recife/PE, 10 de dezembro de 2015.
Coordenação Executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA)

Jovens do Polo da Borborema participam de segunda Oficina de Fotografia e preparam exposição de trabalho

Publicado dezembro 7, 2015 por festadasementedapaixo
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As lideranças da Comissão de Juventude do Polo da Borborema participaram no último sábado, 05 de dezembro, da segunda oficina de fotografia, na sede da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, em Esperança-PB.

A oficina é uma continuidade da atividade realizada no dia 05 de setembro deste ano, ambas facilitadas pelo fotógrafo Flavio Costa, da Agência de Comunicação Zdizain, de Recife-PE. Como desdobramento da primeira atividade, os jovens apresentaram os seus trabalhos. Na oficina anterior, após aprenderem sobre os fundamentos, a história e algumas técnicas de fotografia, os jovens foram desafiados a produzir fotos do seu cotidiano, a exemplo dos irmãos Erivan Alves e Sandra Alice Alves, do Sítio Floriano, em Lagoa Seca, que fotografaram o seu quintal, suas plantas, seus animais, enfim, o seu dia-a-dia de suas atividades na agricultura.

Exposição – durante a última oficina, os jovens analisaram em detalhes todas as fotografias tiradas. Flávio Costa ainda deu dicas e explicou efeitos utilizados para produzir determinados resultados nas fotos. Ao final, os jovens selecionaram 30 imagens que vão compor uma exposição que será lançada no encontro de planejamento do Polo da Borborema, nos dias 26, 27 e 28 de janeiro de 2016.

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A proposta das oficinas foi fazer a formação de jovens, para que eles contribuam com o registro das imagens acerca do trabalho que vem sendo feito com a juventude camponesa na região. Os dois eventos fazem parte das ações do Projeto “Sementes do Saber”, desenvolvido pela AS-PTA em parceria com a Comissão de Jovens do Polo da Borborema. O Projeto apoia iniciativas de inserção econômica e produtiva de jovens do meio rural no território de atuação do Polo da Borborema, uma rede de 14 sindicatos rurais da Região da Borborema. O projeto é cofinanciado pela União Europeia e tem a parceria da ActionAid e do Comitê Católico Contra a Fome e pelo Desenvolvimento – CCFD.

ASA Paraíba realiza avaliação da VI Festa Estadual das Sementes da Paixão

Publicado dezembro 4, 2015 por festadasementedapaixo
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Integrantes da Coordenação Executiva, da Rede de Sementes e do GT de Comunicação da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) se reuniram, neste dia 01 de dezembro, para fazer uma avaliação do processo da VI Festa Estadual das Sementes da Paixão, realizada de 14 a 16 de outubro de 2015, nas cidades de Arara e Campina Grande.

Na rodada de avaliações, todos os participantes ressaltaram o sucesso da realização do evento, destacando pontos como a escolha acertada do local da festa, o Santuário Santa Fé de Padre Ibiapina, considerado um lugar místico e simbólico; o envolvimento de outros atores para além das organizações da ASA, a exemplo das equipes de Assistência Técnica e Extensão Rural nos territórios; a estratégia de comunicação; a escolha dos temas das oficinas e do tema da festa sobre o tema dos transgênicos e agrotóxicos que dialogou com as mesas temáticas, com as atividades de preparação e com os atos públicos de denúncia realizados no último dia de programação, além de um dos principais resultados da Festa, que foi o fortalecimento da rede de bancos de sementes comunitários da ASA Paraíba.

O processo de construção da festa também foi apontado como impulsor do trabalho com a temática nas sete microrregiões onde a ASA Paraíba está presente: “A Festa em si foi muito bonita, deu pra dar uma sacudida na região do Curimataú, finalmente conseguimos mapear os guardiões das sementes”, disse Aparecida Firmino, do Centro Educação e Organização Popular (CEOP), que atua na região do Curimataú do estado.

Vanúbia Martins, da Comissão Pastoral da Terra e membro da Rede de Sementes, avaliou a importância de iniciativas como a da FESP num contexto de avanço do agronegócio: “A Festa é pra nós uma coisa consolidada, uma árvore frondosa, mas claro que até esse tipo árvore precisa de podas, a conjuntura atual é terrível e tem uma série de forças tentando derrubar essa árvore. A festa cumpre um papel do encantamento com as sementes. De juntar pessoas, de aprender, de trocar. Essa festa traz outra questão que é essencial pra nós, que é como vamos dar continuidade à comunicação e ao diálogo com a sociedade. Como vamos seguir expondo os conflitos, ir pra rua. Os projetos de mineração, de energia eólica vão vir cada vez mais fortes, e passando por cima das nossas comunidades, não para produzir energia limpa, como na Europa, vão vir para acúmulo de capitais. O tema das sementes dialoga com os outros temas, pois para ter sementes, é preciso ter água, ter terra”, afirmou.

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Após a rodada de avaliação, foram elencados cinco pontos como desdobramentos da festa para o levantamento de encaminhamentos e planejamento de ações conjuntas. Foram eles: 1- Conab – após a entrega de uma carta dirigida à Conab solicitando que o milho da venda de balcão venha triturado, no sentido de evitar o plantio e a contaminação de outras sementes, já que as sementes são comprovadamente transgênicas; 2 – Testes de transgenia realizados durante a Feira Estadual de Sementes que tiveram resultado positivo em três municípios do estado; 3 – Diálogo com o Governo do Estado, no sentido de cobrar o que foi prometido pelo secretário durante a Festa; 4 – Como trabalhar melhor as sínteses e os compromissos de cada oficina temática; 5 – Como dar continuidade ao processo de comunicação desencadeado durante a festa com a reativação do blog, como pensar na construção de um vídeo sobre festa, um documentário pequeno.

Roselita Vitor, da Coordenação do Polo da Borborema, região que recebeu a Festa, falou sobre o desafio de sediar um evento como este: “Nem sempre o nosso território vai estar 100% preparado para receber a festa. Foi uma lição pra gente, essa questão de reinventar, como a gente faz a luta acontecer. Mas a gente está em um tempo que, ou a gente vai pra rua, se coloca, ou as coisas não vão acontecer”, disse. Roselita falou ainda da tarefa que a rede tem de aproveitar os resultados da festa para se fortalecer enquanto rede e fazer a luta política: “A carta política da Festa e o relatório final são instrumentos para a gente fazer a luta e construir o debate nos conselhos, nos territórios, no diálogo com o poder público. Os compromissos que a gente trouxe nos debates, nas oficinas. A contribuição de cada região que contribuiu com a festa, já é um resultado, isso mostra um comprometimento com a ASA, foi um momento de resgatar esse compromisso”, afirmou.

Encaminhamentos – Ao final da reunião, foram tirados os seguintes encaminhamentos: dar continuidade ao processo de formação à partir das demandas das oficinas temáticas (exemplo: bancos de germoplasma, sementes de das hortaliças, etc.); Envio de ofício para Conab solicitando uma audiência; Continuidade da comunicação (alimentação do blog, replicar ações de ativismo nas regiões); Continuidade dos testes de transgenia – procurar as pessoas que estão com sementes contaminadas, além de fazer a denúncia coletiva das sementes de milho contaminados; Diálogo com o governo do estado, por meio de uma audiência ainda em dezembro de 2015; e pro fim, Promover formação para cirandeiros na ASA Paraíba para cirandes infantis em eventos. Foi agendado o balanço e planejamento da rede de sementes para os dias 16 e 17 de fevereiro.

VI Festa Estadual das Sementes da Paixão celebra conquistas na preservação das sementes e no campo das políticas públicas para a agroecologia

Publicado outubro 20, 2015 por festadasementedapaixo
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A Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) realizou entre os dias 14 e 16 de outubro, a VI edição da “Festa Estadual das Sementes da Paixão”, que teve como lema: “Agricultura Familiar: guardiã da sociobiodiversidade, pela soberania alimentar, livre de transgênicos e agrotóxicos”. Os dois primeiros dias de evento foram realizados no Santuário de Padre Ibiapina, entre as cidades de Solânea e Arara-PB, na região do Polo da Borborema. Esta parte da programação foi dedicada à formação e reuniu mais de 350 agricultores e agricultoras das sete microrregiões da Paraíba onde a ASA-Paraíba está presente. Já o terceiro e último dia aconteceu em Campina Grande, com uma Feira Estadual de Sementes no centro da cidade. A ASA Paraíba é uma rede de mais 300 organizações que trabalham pelo fortalecimento da agricultura familiar de base agroecológica. Ela está ligada à Articulação Nacional do Semiárido (ASA Brasil) e as ASAs dos outros oito estados do Semiárido Brasileiro.

Abertura – A acolhida das caravanas foi realizada com trio de forró que animou a montagem da feira de sementes. No final da manhã foi realizada uma mística de abertura, que abordou os dois modelos de agricultura em disputa. Um primeiro, o do agronegócio, com as grandes corporações produtoras de transgênicos e agrotóxicos, a bancada ruralista e a pesquisa à serviço do agronegócio. E a do modelo de convivência com o Semiárido, que defende a agricultura familiar agroecológica e a soberania dos povos tradicionais. Uma homenagem aos mais de 30 convidados de outras ASAs estaduais foi feita com as diversas denominações que as sementes crioulas têm nos outros estados: “Sementes da Fartura”, “Sementes da Resistência”, “Sementes Nativas”, entre outras. Foram relembradas ainda os conteúdos e os resultados das festas anteriores.

Mesas de diálogo – No período da tarde, duas mesas de diálogo trouxeram, primeiro uma reflexão sobre as conquistas e os acúmulos dos últimos 20 anos de trabalho pela preservação e pelo fortalecimento das Sementes da Paixão no Estado e em todo o Semiárido, com depoimentos de guardiões e guardiãs e de lideranças agricultoras. Já a segunda mesa trouxe um panorama sobre a conjuntura atual das políticas públicas para as sementes e também as suas ameaças ou desafios. A agricultora e liderança do Polo a Borborema, Roselita Vitor, do Assentamento Queimadas, em Remígio-PB destacou o papel das famílias guardiãs para a humanidade: “Se os guardiões não existissem, a gente não teria o que comer, sem as sementes crioulas, a gente não vive, elas são a autonomia das famílias, garantia de saúde. A nossa luta é de resistência, devemos essa luta as agricultoras e agricultores. Se a gente não tivesse a experiência prática das Sementes das Paixão, nós não teríamos condições de enfrentar o modelo do agronegócio”, afirmou.

Gabriel Fernandes da AS-PTA debateu a conjuntura atual e ressaltou a importância da instituição de uma Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo), que pela primeira vez apontou a agroecologia e a agricultura familiar como um caminho viável para o desenvolvimento do país, fruto de uma luta histórica dos movimentos sociais como a ASA. Gabriel também ressaltou as contradições do governo que institucionalizou a agroecologia e ao mesmo tempo deu força para os transgênicos e aumentou os investimentos para o agronegócio.

O primeiro dia foi encerrado com um cine debate sobre a democratização da comunicação, com a exibição do vídeo “Levante sua voz”, do Coletivo de Comunicação Social Intervozes, e também se coletou assinaturas para o Projeto de Lei da Mídia Democrática.

Oficinas temáticas – No segundo dia de formação, os participantes se dividiram em sete oficinas sobre os seguintes temas: Gestão, Organização e Armazenamento das sementes nos Bancos de Sementes Comunitários (BSC); Integrando as sementes florestais e frutíferas nos BSC; Produção, Seleção das Sementes; Sementes dos animais; Produção das sementes de hortaliças; Beneficiamento de frutas nativas e adaptadas e Bancos de Germoplasma.

Cada oficina contou com a apresentação de uma experiência local e uma experiência vinda de outros territórios, a exemplo da Oficina “Integrando as sementes florestais e frutíferas nos BSC”. Com o objetivo de socializar conhecimentos de manejo, plantio, colheita, armazenamento das sementes florestais e frutíferas, foram apresentadas as experiências dos jovens coletores de sementes florestais da região do Polo da Borborema, na Paraíba e dos integrantes do Povo Xucurus do Ororubá do estado de Pernambuco.

Carta Política – Na tarde do segundo dia, dois jovens fizeram a leitura da carta política da VI Festa das Sementes da Paixão. O documento trouxe as principais reivindicações e conquistas ao longo do processo de trabalho da ASA Paraíba em torno da preservação e conservação das sementes crioulas. Segundo a carta “esse patrimônio inalienável constitui um bem comum, indispensável para a convivência com o Semiárido em bases agroecológicas para a garantia da soberania e segurança alimentar e nutricional e para enfrentar as mudanças climáticas”.

A carta também faz uma referência à Semana Mundial da Alimentação, período em que aconteceu a festa: “Na semana em que é celebrado o dia mundial da alimentação, juntamos nossas forças ao Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar) em defesa da comida de verdade no campo e na cidade”, continua o documento. A carta se posicionou ainda contra os ataques à democracia na conjuntura atual: “Nos manifestamos contra qualquer ameaça à democracia e a retirada de direitos duramente conquistados. Reafirmamos a necessidade de continuarmos ativos e vigilantes, mantendo a disposição para lutar em defesa dos princípios democráticos e pela agroecologia”.

Após esse momento, uma mesa de diálogo reuniu representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido da Paraíba, do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O Secretário de Agricultura Familiar da Paraíba, Lenildo Morais, anunciou iniciativas que a sua pasta está desenvolvendo no campo da agricultura familiar a exemplo da conclusão da cessão do espaço do Banco Mãe de Sementes de Lagoa Seca ao Polo da Borborema, dinâmica integrante da ASA Paraíba, onde deverá funcionar uma mini fábrica de cuscuz orgânico e livre de transgênico, com recursos do Projeto Cooperar. Também anunciou a implementação de 2 mil barragens subterrâneas no Cariri do Estado.

O gestor destacou ainda o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) voltado para Sementes de 2016, com um projeto com orçamento de 1,5 milhão de reais: “A prioridade deste projeto é fortalecer os bancos-mãe de sementes do estado da Paraíba. Pela primeira vez vamos adquirir sementes de fava, de arroz vermelho do Vale do Piancó. Queremos fazer com que as sementes de feijão e de milho que vocês produzem possam ser também adquiridas. Estamos concluindo o nosso projeto de produção de sementes e mudas crioulas para o próximo ano. O Governador não quer mais comprar sementes como as que vinham sendo compradas. A ideia é viabilizar um programa de sementes e de mudas que possam beneficiar os agricultores e agricultoras da Paraíba. Esse é o nosso compromisso, a ASA é quem vai estar conosco no dia a dia da condução desse processo”, finalizou.

Naidson Baptista Quintela da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) e também representante do Consea em sua fala destacou o protagonismo da Paraíba no trabalho com as sementes da Paixão e os avanços dessa trajetória, entre eles o apoio dos programas de cisternas às casas de sementes e a criação do Programa Sementes do Semiárido: “É o exercício da política e da prática do estoque de água de consumo e de produção, de comida para os animais e de sementes de grãos e de animais que tem permitido ao povo viver bem no Semiárido nos momentos difíceis. Vocês sempre fizeram isso na Paraíba, é o que fazem, é o que celebram, vejam que isto aqui não é um encontro, é uma festa. Celebrar conquistas e se comprometer com o futuro”, disse. Naidson destacou ainda a pesquisa com 10 variedades de milho feita na Paraíba em parceria com a Embrapa Tabuleiros Costeiros que mostrou que as sementes dos agricultores apresentaram um resultado igual ou superior ao das variedades comerciais.

Após as falas e uma rodada de debate, Emanoel Dias, assessor técnico da AS-PTA e da rede de sementes da ASA Paraíba fez a entrega de uma carta destinada à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), assinada por todos os presentes à plenária. Na carta fez-se a denúncia de que o milho que a companhia vende a preços subsidiados para servir de alimento para os animais na Paraíba é transgênico. A comprovação veio depois que um teste rápido de transgenia foi feito com resultado positivo e em seguida as amostras foram enviadas a um laboratório nacional, que emitiu um laudo oficial comprovando a presença de transgênicos. A carta e o laudo foram entregues a Gustavo Guimarães, representante da Conab no evento. Segundo informação da própria companhia, apenas no ano de 2013, mais de 33 mil toneladas desses grãos foram comercializados na Paraíba. No Nordeste foram mais 400 toneladas no mesmo período.

Atos em Campina Grande – O terceiro e último dia da festa agricultoras e agricultores da Paraíba promoveram três atos simultâneos em defesa das sementes da paixão. Na Embrapa Algodão, exigiram pesquisas adaptadas à realidade da agricultura familiar e da agroecologia. Na Conab, pediram o fim da distribuição de milho transgênico, em uma empresa de cuscuz, alertaram à população sobre a necessidade de sabermos o que estamos comendo, com a permanência da rotulagem dos transgênicos. Após os três atos, foi aberta, na Praça Clementino Procópio, no Centro de Campina Grande, a Feira Estadual das Sementes da Paixão, que contou com a participação de mais de mil pessoas, vindas de todas as regiões do estado.

Representantes da Articulação do Semiárido Paraibano falaram sobre a importância da feira e das sementes da paixão para o povo do semiárido. “Agricultores e Agricultoras de todo o semiárido brasileiro estiveram reunidos durante esses três dias discutindo suas conquistas e levantando os desafios para continuar a luta, a favor de uma comida livre de transgênicos e agrotóxicos, livre da dominação e exploração das mulheres, uma garantia através das sementes da paixão”, disse Madalena Medeiros da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Paraíba). A coordenadora da ASA Paraíba, Maria da Glória Batista também falou sobre o papel que as políticas públicas de conivência com o semiárido têm desempenhado para a o fortalecimento da segurança e soberania alimentar.

Além da troca de sementes os agricultores e agricultoras também comercializaram seus produtos, entre eles as mudas de plantas medicinais, artesanatos, frutas, verduras, legumes, bolos, canjicas, doces, iogurtes e tapiocas. O grupo de mulheres do Assentamento Socorro, da cidade de Areia, produz bolos, doces e brigadeiros, todos feitos com banana, mas a novidade produzida pelo grupo “Doces Socorro” é a banana chips, um salgado feito com banana verde e sal. “Começamos a fazer depois de um curso lá na comunidade, ele tem o sabor de um salgado de batata e as pessoas gostam muito”, afirmou a integrante Josefa Teixeira. Na feira houve espaço ainda para testes rápidos de transgenia, com distribuição de certificados de “Livre de Transgênicos” para os guardiões que levaram as suas sementes para serem testadas.

A feira foi encerrada com uma benção inter-religiosa com representantes de praticantes de diversas religiões. A água, as sementes, a terra e a palma foram alguns elementos utilizados na benção para simbolizar a importância das sementes da paixão para as diversas comunidades, elementos que são essenciais para que a semente cresça e germine, garantindo alimento saudáveis as famílias agricultoras.

Mesa de Diálogo com Gestores Públicos e Representantes de Entidades de Pesquisa Debate Políticas de Sementes no Semiárido

Publicado outubro 19, 2015 por festadasementedapaixo
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Na programação do segundo dia da VI Festa Estadual das Sementes da Paixão, na tarde desta quinta-feira (15), em Arara-PB, aconteceu a mesa “Diálogo com as políticas de sementes no Semiárido, avanços e desafios para construção de políticas publicas”. A mesa reuniu representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido da Paraíba, do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Glória Batista, da coordenação da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), coordenou o debate. Ela iniciou reafirmando a importância da realização das Festas: “Cada festa é um elo de continuidade do nosso trabalho. Nas festas nós refletimos a nossa história e construímos o nosso futuro, porque o tempo não para. Não poderíamos fazer uma festa só para pensar nos nossos acúmulos, precisamos também olhar os nossos desafios”, disse.

Carta política – Antes do início das falas, os jovens Alex Barbosa do GT de Juventude do Coletivo das Organizações da Agricultura Familiar e Mônica Lourenço, da Comissão de Jovens do Polo da Borborema, fizeram a leitura da carta política da VI FESP. O documento traz as principais reivindicações e conquistas ao longo do processo de trabalho da ASA Paraíba em torno da preservação e conservação das sementes crioulas que, segundo a carta “esse patrimônio inalienável constitui um bem comum, indispensável para a convivência com o Semiárido em bases agroecológicas para a garantia da soberania e segurança alimentar e nutricional e para enfrentar as mudanças climáticas”.

A carta também faz uma referência à Semana Mundial da Alimentação, período em que acontece a festa: “Na semana em que é celebrado o dia mundial da alimentação, juntamos nossas forças ao Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar) em defesa da comida de verdade no campo e na cidade”, continua o documento. A carta se posicionou ainda contra os ataques à democracia na conjuntura atual: “Nos manifestamos contra qualquer ameaça à democracia e a retirada de direitos duramente conquistados. Reafirmamos a necessidade de continuarmos ativos e vigilantes, mantendo a disposição para lutar em defesa dos princípios democráticos e pela agroecologia”.

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O primeiro convidado da mesa a falar foi Lenildo Morais, Secretário de Agricultura Familiar da Paraíba. O gestor saudou a iniciativa de se promover espaços de diálogo entre o poder público e os movimentos sociais do Semiárido. O Secretário anunciou ainda iniciativas que a sua pasta está desenvolvendo no campo da agricultura familiar a exemplo da conclusão da cessão do espaço do Banco Mãe de Sementes de Lagoa Seca ao Polo da Borborema, dinâmica integrante da ASA Paraíba, onde deverá funcionar uma mini fábrica de cuscuz orgânico e livre de transgênico, com recursos do Projeto Cooperar. Também a implementação de 2 mil barragens subterrâneas no Cariri do Estado.

Lenildo Morais destacou ainda o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) voltado para Sementes de 2016, com um projeto com orçamento de 1,5 milhão de reais: “A prioridade deste projeto é fortalecer os bancos mães de sementes do estado da Paraíba. Pela primeira vez vamos adquirir sementes de fava, de arroz vermelho do Vale do Piancó. Queremos fazer com que as sementes de feijão e de milho que vocês produzem possam ser também adquiridas. Estamos concluindo o nosso projeto de produção de sementes e mudas crioulas para o próximo ano. O Governador não quer mais comprar sementes como as que vinham sendo compradas. A ideia é viabilizar um programa de sementes e de mudas que possam beneficiar os agricultores e agricultoras da Paraíba. Esse é o nosso compromisso, a ASA é quem vai estar conosco no dia a dia da condução desse processo”, finalizou.

A segunda fala foi a de Nair Arriel, pesquisadora da área de recursos genéticos Embrapa. Segundo a pesquisadora, a Embrapa vem ampliando o seu espaço para discutir a agroecologia, a agricultura familiar e agrobiodiversidade, o que para ele, tem sido muito importante para os pesquisadores das mais de 40 unidades da entidade no país. Ela reafirmou a necessidade de as pesquisas estarem orientadas de acordo com cada contexto local e saudou o papel dos guardiões e guardiãs de sementes: “A manutenção da biodiversidade na mão dos agricultores tem sido extremamente importante para a pesquisa. Nós estamos preocupados com a diversidade que está armazenada nos Bancos de Sementes, que estão armazenando a diversidade local. Pra nós pesquisadores, esses bancos estarem nas mãos de vocês é extremamente importante. A Paraíba é um dos estados onde está armazenada a maior diversidade de fava, junto com outros colegas, vimos percorrendo áreas aqui e vendo também que algumas espécies foram perdidas, precisamos manter essa troca porque assim estamos mantendo também a biodiversidade”, afirmou.

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Representando o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) Fernando Letti destacou em sua fala o Programa Nacional de Sementes e Mudas, explorando os seus eixos de atuação e princípios. O convidado afirmou ainda que as sementes crioulas nas mãos dos agricultores representam não só a autonomia política e as sementes em seus bancos familiares, mas também a autonomia econômica, para que essas sementes gerem renda para os agricultores.

Naidson Baptista Quintella da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) e também representando o Consea, foi o último da mesa a falar. A liderança destacou o protagonismo da Paraíba no trabalho com as sementes da Paixão e os avanços dessa trajetória, entre eles o apoio dos programas de cisternas às casas de sementes e a criação do Programa Sementes do Semiárido: “É o exercício da política e da prática do estoque de água de consumo e de produção, de comida para os animais e de sementes de grãos e de animais que tem permitido ao povo viver bem no Semiárido nos momentos difíceis. Vocês sempre fizeram isso na Paraíba, é o que fazem, é o que celebram, vejam que isto aqui não é um encontro, é uma festa. Celebrar conquistas e se comprometer com o futuro”. Naidson destacou ainda a pesquisa com 10 variedades de milho feita na Paraíba em parceria com a Embrapa Tabuleiros Costeiros que mostrou que as sementes dos agricultores apresentaram um resultado igual ou superior ao das variedades comerciais.

“Sementinhas da Paixão” – Após a mesa, houve uma apresentação da ciranda infantil da VI FESP, espaço lúdico dedicado ao cuidado dos filhos e filhas dos participantes do evento. Cerca de 10 crianças cantaram uma música de roda, exibiram chocalhos e um cartaz produzidos com sementes e se declararam em alto som: “Somos sementinhas da paixão!!”.

Encerrando a plenária, Emanoel Dias, assessor técnico da AS-PTA e da rede de sementes da ASA Paraíba fez a entrega de uma carta destinada à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), assinada por todos os representantes da plenária contendo a denúncia de que o milho que a companhia vende a preços subsidiados para servir de alimento para os animais é transgênico. A comprovação veio depois que um teste rápido de transgenia foi feito com resultado positivo e em seguida essa amostra foi enviada a um laboratório nacional que emitiu um laudo oficial comprovando a presença de transgênicos. A carta e o laudo foram entregues a Gustavo Guimarães, representante da Conab no evento. Segundo informação da própria companhia, apenas no ano de 2013, mais de 33 mil toneladas desses grãos foram comercializados na Paraíba, no Nordeste foram mais 400 toneladas no mesmo período.

Agricultores e agricultoras realizam trocas de sementes na Feira da VI Festa Estadual das Sementes da Paixão

Publicado outubro 17, 2015 por festadasementedapaixo
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12079206_416268445245324_2755875743002337106_nA VI Festa Estadual das Sementes da Paixão foi encerada nesta sexta-feira (16), com a Feira Estadual das Sementes da Paixão. A feira iniciou com o acolhimento das caravanas, ao som de muito forró, na Praça Clementino Procópio no centro de Campina Grande. Estavam presentes mais de 1000 agricultores e agricultoras guardiões de sementes de todo o semiárido brasileiro.

Em seguida, representantes da articulação do Semiárido falaram um pouco sobre a importância da feira e das sementes da paixão para o povo do semiárido. “Agricultores e Agricultoras de todo o semiárido brasileiro estiveram reunidos durante esses três dias discutindo suas conquistas e levantando os desafios para continuar a luta, a favor de uma comida livre de transgênicos e agrotóxicos, livre da dominação e exploração das mulheres, uma garantia através das sementes da paixão”, disse Madalena Medeiros da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Paraíba). A coordenadora da ASA Paraíba, Maria da Glória Batista também falou sobre o papel que as políticas públicas de conivência com o semiárido têm desempenhado para a o fortalecimento da segurança e soberania alimentar.

Durante a feira os guardiões e guardiãs tiveram a oportunidade de fazer a troca de suas sementes, um momento de partilha de conhecimento e experiências. Para o agricultor Raimundo da Silva do Assentamento José Antônio Eufrouzino, município de Campina Grande, a feira foi um momento muito importante para troca de saberes. “Há dez anos que eu guardo minhas sementes da paixão, hoje eu tenho uma grande variedade, tenho milho branco, milho Jaboatão, milho preto, milho pontinha, feijão carrapatinho e com essa variedade eu tenho a garantia de que minha família consome uma comida saudável, falou o agricultor Raimundo que também realizou a troca das sementes do feijão carrapatinho por fava. “Eu não tinha essa semente de fava e nos próximos anos eu já vou trocar um pouco dessa semente de fava com outro agricultor, isso tudo é muito bom” afirmou.

12107079_416268515245317_5281976891047299153_nA agricultora Raimunda Soares Costa, 58 anos, da comunidade Tacima região do Curimataú Paraibano, também falou sobre a importância da troca de sementes.“Aqui a gente coloca em prática o que gente luta e vivencia. A troca de sementes é uma convivência entre os agricultores para não perder as sementes da paixão, é a semente que alimenta nosso povo e a gente precisar dar continuidade a ela”, falou Raimunda. Durante a feira, os agricultores também realizaram o teste de transgênia em suas sementes para se certificarem que suas sementes realmente estão livres dos transgênicos.

12141548_416268558578646_8437115556947057528_nAlém da troca de sementes os agricultores e agricultoras também comercializaram seus produtos, entre eles as mudas de plantas medicinais, artesanatos, frutas, verduras, legumes, bolos, canjicas, doces, iogurtes e tapiocas. O grupo de mulheres do Assentamento Socorro, da cidade de Areia, produzem bolos, doces e brigadeiros, todos feitos com banana, mas a novidade produzida pelo grupo “Doces Socorro” é banana chips, um salgado feito com banana verde e sal. “A gente começou a produzir a banana chips depois de uma curso lá na comunidade, ele tem o sabor de um salgado de batata e as pessoas gostam muito”, afirmou a integrante Josefa Teixeira.

A feira encerrou com uma benção inter religiosa com representantes de praticantes de diversas religiões. A água, as sementes, a terra e a palma foram alguns elementos utilizados na benção para simbolizar a importância das sementes da paixão para as diversas comunidades, elementos que são essenciais para que a semente cresça e germine, garantindo alimento saudáveis as famílias agricultoras.