Arquivo para setembro 2015

CEPFS inicia projeto “Conviver no Semiárido com a Semente da Paixão”

29/09/2015

Encontro Municipal - Cacimbas - PBO Centro de Educação Popular e Formação Social-CEPFS iniciou a execução do projeto “Conviver no Semiárido com a Semente da Paixão”, financiado pela Fundação Banco do Brasil-FBB. O projeto visa fortalecer e ampliar o sistema produtivo da agricultura familiar através do resgate, multiplicação e preservação das sementes de variedades locais. Serão contemplados os municípios de Cacimbas e Teixeira, na Paraíba.

Na primeira etapa, o CEPFS promoveu encontros municipais que foram sediados nas comunidades Riacho Verde (Teixeira) e Monteiro (Cacimbas), para a apresentação e início das mobilizações das comunidades interessadas na tecnologia do Banco de Sementes.Reunião de sensibilização - Assentamento Poços de baixo - Teixeira-PB

Os encontros foram seguidos de reuniões de sensibilização junto as comunidades de cada município onde serão implantadas ou reaplicadas estruturas da Tecnologia Social Banco de Sementes Comunitários. Em Teixeira, foram promovidas reuniões nas comunidades São Francisco (11/04) e Assentamento Poços de Baixo (12/04).

Ao longo do projeto, ainda estão previstos: Mais 10 reuniões comunitárias, 02 encontros regionais, 03 visitas de intercâmbio regional, 02 visitas de intercâmbio interestadual, 03 oficinas de silos e 1 encontro de avaliação e Planejamento.

Nos dias 14, 15 e 16 de outubro, acontecerá em Arara-PB, a VI Festa Estadual das Sementes da Paixão. Durante os espaços formativos, agricultores e agricultoras participam de um processo preparatório para o evento.  Reunião de Sensibilização - São Francisco - Teixeira - PB

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AS-PTA e Polo da Borborema realizam seminário em preparação para VI Festa Estadual das Sementes da Paixão

29/09/2015

sementes da paixãoA AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e o Polo da Borborema realizaram nesta terça-feira, dia 22 de setembro, no Banco Mãe de Sementes, em Lagoa Seca-PB, um Seminário em Preparação para a VI edição da Festa Estadual das Sementes da Paixão, que acontecerá na região do Polo, no município de Arara-PB, de 14 a 16 de outubro de 2015, na Semana Mundial da Alimentação.

Participaram do Seminário cerca de 120 agricultores e agricultoras gestores de Bancos de Sementes Comunitários dos 14 municípios de atuação do Polo da Borborema e, dentro desses, cerca de 40 jovens agricultores da Comissão Regional de Juventude do Polo.

A programação teve início com a apresentação de uma peça encenada pelo Grupo de Teatro Amador do Polo da Borborema, onde “dona Crioula” e “dona Transgênica”, simbolizando as sementes crioulas, na Paraíba, conhecidas como “Sementes da Paixão”, e as sementes transgênicas, que tentam convencer um agricultor que são as melhores sementes a serem plantadas. Durante a encenação, os participantes interagiram com os personagens, em defesa da semente nativa. Após a peça, os participantes fizeram uma rodada de reflexões acerca da pergunta: “que sementes nós escolhemos para plantar?”

sementes da paixãoVários agricultores se pronunciaram, sobretudo a juventude. Uma delas foi Sabrina Maria Belo da Silva, de 16 anos, moradora do Sítio Aningas, em Massaranduba. “Cabe a gente escolher se a gente quer a semente da vida ou da morte. A gente não precisa de muito para produzir, só precisamos da nossa semente, no momento certo de plantar. Cabe à gente seguir com o nosso trabalho, sem cair na conversa de ganho fácil, pois tudo que vem fácil, vai fácil e, de novo, cabe à gente escolher se queremos uma vida de lutas e conquistas ou uma vida fácil, mas enganosa”, afirmou.

Ana Paula Cândido da Silva, da Comissão Regional de Juventude e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, defendeu a qualidade das sementes crioulas: “As nossas sementes são de qualidade, não é à toa que a juventude de hoje trabalha com elas. As nossas sementes vêm resistindo de geração para geração. As pessoas as vezes falam que o agricultor não é formado, mas nós somos doutores em agricultura e ninguém melhor do que nós para saber o que é melhor para a gente”, disse. Para seu José Alves de Luna, conhecido como “Zé Pequeno”, guardião do Sítio São Tomé II, município de Alagoa Nova, as sementes da paixão são sinônimo de fartura: “Estou com 68 anos plantando essa semente e nunca plantei para dizer ‘perdi’, não. É sempre fartura. Eu nunca vi miséria na minha vida com essa semente, não tem inverno ruim com ela. Tenho orgulho de ser um defensor dessa semente, eu considero ela um patrimônio meu”.

sementes da paixãoApós essa rodada de debate, foi apresentada uma mesa de experiências. Erivan Farias Alves, de 27 anos, do Sítio Floriano, em Lagoa Seca, apresentou a sua experiência como jovem agricultor que encontrou na atividade o caminho para a sua autonomia. Ele falou sobre como a formação e os intercâmbios o ajudaram a diversificar a sua produção e promover a agroecologia. Foram nesses momentos que conheceu a esterqueira, o biodigestor, a cerca viva, a produção de biofertilizantes e de mudas e a adubação verde e que vem permitindo aprimorar sua produção. Ana Paula Cândido da Silva, apresentou a experiência da Comissão Regional de Juventude do Polo da Borborema, que ganhou força e se estruturou melhor em 2010, a partir da realização do 1º Encontro da Juventude Camponesa do Polo da Borborema e em a partir de 2013, com o apoio do Projeto Sementes do Saber.

A agricultora experimentadora Terezinha da Silva, do Sítio Videu, município de Solânea falou sobre a experiência da criação do Banco de Sementes Comunitário, do local onde vive, há cerca de 20 anos: “A minha semente da paixão é a do feijão cacho. Guardo ela não só para mim, mas pra um vizinho, pra quem precisar. Aqui quando os meninos têm anemia, basta tomar o caldo desse feijão, que ficam bons. O Banco de Sementes é uma mãe, um pai, é tudo para nós. Enquanto Deus me der vida e saúde eu vou continuar guardando essa semente e zelando por ela”, disse a agricultora.

sementes da paixãoPor fim, Euzébio Cavalcanti, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio e integrante da Comissão de Sementes do Polo da Borborema, falou sobre como a rede, atualmente com 60 bancos comunitários de sementes ativos no território do Polo vem resistindo aos desafios e segue fortalecida. Ele também ressaltou a importância do envolvimento da juventude no trabalho de guardiões das sementes: “A gente ouve falar que os agricultores não guardam mais sementes. Mas quando dá um trovão, o que a gente vê em todo canto é todo mundo com semente para plantar. O banco de semente é uma porta aberta. Precisamos cuidar para que essa porta também se abra para a juventude, para ela ir construindo o seu trabalho de guardiões. Pois se eu sou guardião e meu vizinho não é, nossa semente fica ameaçada”, afirmou a liderança.

Ameaças – Após esse momento, Emanoel Dias, assessor técnico do Núcleo de Sementes da AS-PTA, fez uma contextualização do momento atual e do cenário de processo de preparação para a VI Festa das Sementes, que é realizada pela Articulação do Semiárido Paraibano (ASA-PB). Ele trouxe para o debate as principais ameaças ao modelo que defende as sementes da paixão e o conjunto da agricultura familiar, colhidos nas muitas reuniões municipais realizadas em preparação ao encontro territorial. A primeira ameaça colocada nesses momentos foi a seca, que pode ocasionar a perda de variedades. Foi ainda lembrado, da importância dos estoques familiares e dos Bancos de Sementes Comunitários nesses últimos anos de estiagem prolongada. Em seguida foi tratada da violência no campo, que ameaça a permanência das famílias agricultoras na zona rural. As políticas de distribuição de sementes e a legislação que desconsideram o trabalho de conservação e preservação das sementes crioulas pelas famílias agricultoras também foram levantadas como ameaças. Emanoel lembrou como desafio a chegada dos transgênicos no território: “Antigamente quando a gente falava em sementes transgênicas, parecia uma coisa distante, do sul do país, hoje não. A porta está escancarada, todas as amostras testadas com o milho distribuído pela Conab deram positivo para a presença de transgênicos, o que é preocupante, pois o milho é uma planta de polinização aberta, ou seja, a contaminação é muito fácil de ocorrer”, alertou. Por fim, o público presente ainda trouxe como ameaça as entidades de ensino e pesquisa que mantém estratégias voltadas para fortalecer o agronegócio, inclusive no Território da Borborema.

sementes da paixãoNo período da tarde, Roselita Victor, liderança da Coordenação do Polo da Borborema e do STR Remígio, apontou todas as conquistas dos últimos anos na luta pela conservação das sementes crioulas, a exemplo do diagnóstico de variedades de feijão feita no território em 1996, que segundo ela “revelou muitos ‘tesouros escondidos’ a Lei Estadual de Sementes de 2006, que reconheceu  as sementes dos agricultores, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) específico para sementes, que permitiu a compra pelo governo das sementes nativas, o surgimento das Festas das Sementes em 2004, a pesquisa participativa realizada com a parceria da Embrapa em 2012, que comprovou a superioridade das sementes nativas e adaptadas à região em relação às variedades comerciais e os recentes apoios dos Projetos Sementes do Saber, Sementes do Semiárido e do Ecoforte ao Programa de Sementes da Paixão do Território da Borborema, fortalecendo o trabalho de resgate, valorização e armazenamento das sementes.

sementes da paixãoEncerrando o seminário, foi aberto espaço para a feira de trocas entre os agricultores, que levaram suas sementes da paixão. Jovens de Massaranduba e Remígio apresentaram uma peça rápida, onde problematizaram os desafios à permanência das famílias no campo. Uma grande ciranda com uma benção das sementes encerrou o evento.

Articulação do Semiárido Paraibano realizará VI Festa Estadual das Sementes da Paixão na Semana Mundial da Alimentação

23/09/2015

A Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) realizará entre os dias 14 e 16 de outubro, dentro da Semana Mundial da Alimentação, a VI Festa Estadual das Sementes da Paixão. Com o tema: “Agricultura Familiar guardiã da sociobiodiversidade, pela soberania alimentar, livre de transgênicos e agrotóxicos”, o evento acontecerá no Santuário de Padre Ibiapina Santa Fé, município de Arara, no Curimataú Paraibano, em seus dois primeiros dias, no último dia, a programação do evento ocorrerá em Campina Grande-PB.

Os objetivos da Festa são valorizar o papel das famílias agricultoras guardiãs das sementes crioulas no estado da Paraíba; Refletir importância dos Bancos de Sementes Comunitários (BSC) na produção de alimentos e enfrentamento da seca; Promover o intercâmbio de experiências agroecológicas de valorização das sementes da paixão; Fortalecer a Rede Sementes da ASA Paraíba como estratégia de luta e resistência pela conservação da agrobiodiversidade; Refletir sobre o livre uso das sementes da paixão e as ameaças à agrobiodiversidade e por fim, Construir mecanismos para as políticas públicas de sementes no semiárido paraibano.

A ASA Paraíba é uma rede de cerca de 300 organizações que trabalham pelo fortalecimento da agricultura familiar de base agroecológica, organizada em sete territórios ou microrregiões da Paraíba (Cariri, Agreste, Borborema, Seridó, Curimataú, Alto e Médio Sertão). Sementes da Paixão foi o nome dado no estado às sementes crioulas ou nativas, cultivadas e conservadas pelas famílias camponesas há várias gerações. Em outros estados estas sementes são conhecidas como “Sementes da Resistência” ou “Sementes da Fartura”, entre outros.

A sexta edição da Festa Estadual das Sementes da Paixão vai reunir, nos dois primeiros dias, cerca de 300 pessoas, entre agricultoras e agricultores familiares, assessores técnicos, estudantes e pesquisadores da temática e gestores públicos, entre outros convidados. Já no último dia de evento, a programação é aberta ao público e são esperadas 1.200 pessoas em um grande ato público em que o objetivo é dialogar com a sociedade sobre a importância do trabalho em torno das sementes da paixão para reprodução da vida na agricultura.

Programação – A festa conta com mesas de diálogo onde se debaterá a conjuntura da política de sementes para o Semiárido e o cenário de ameaças à agrobiodiversidade representada pelo uso de agrotóxicos e transgênicos, além de seis oficinas temáticas (gestão e organização de bancos de sementes, sementes de animais, sementes de hortaliças e florestais, o papel das mulheres enquanto guardiãs da biodiversidade e beneficiamento de frutas nativas e adaptadas) e feiras em Arara e Campina Grande com barracas expondo experiências e produtos da agricultura familiar, além de testes de transgenia de sementes com emissão de certificados “livre de transgênicos”.

A realização das festas estaduais das Sementes da Paixão, desde 2003, tem cumprido um papel estratégico na dinâmica de trabalho das organizações da Articulação do Semiárido Paraibano, se constituindo como um espaço privilegiado de troca de experiências e fortalecimento de uma rede de guardiões e guardiãs de sementes, que atualmente conta com mais de 100 bancos comunitários de sementes e milhares de bancos familiares. Essas iniciativas tem representado uma verdadeira resistência das famílias agricultoras à entrada das sementes transgênicas e às políticas de distribuição de sementes dos governos que se constituem em um entrave ao acesso dos agricultores à sua semente no momento certo de plantar.

Programação

Dia 14 de outubro, quarta-feira

9h – Chegada e Inscrição dos participantes | Montagem da feira de sementes | Mística de abertura

10h – Abertura Oficial da Festa Estadual das Sementes da Paixão

Mesa 1: Oportunidade de afirmar os princípios, conquistas e os desafios do trabalho da Rede de Bancos Comunitários de Sementes da ASA Paraíba

Mesa 2: Panorama das políticas publicas conquistas e ameaças a agrobiodiversidade no contexto do semiárido brasileiro

Painelista: Gabriel Fernandes (AS-PTA, CNAPO, Campanha por um Brasil Livre de Transgênicos e Agrotóxicos)

19h – Vídeo-debate sobre a Democratização da Comunicação

20h – Abertura da Feira de Sementes das Sementes (Forro na Feira)

Museu de Padre ibiapina | Barracas com testes de transgenia e emissão de certificado livre de transgênicos

 

Dia 15 de outubro, quinta-feira

8h – Mística de abertura e início das atividades

Fala de abertura e orientações para divisão dos grupos;

Oficina 1: Gestão, Organização e Armazenamento das sementes nos BSC;

Oficina 2: Integrando as sementes florestais e frutíferas nos BSC;

Oficina 3: Produção, Seleção e Comercialização das Sementes – Foco PAA;

Oficina 4: Sementes dos animais;

Oficina 5: Produção das sementes de hortaliças;

Oficina 6: Beneficiamento de frutas nativas e adaptadas;

14h – Socialização das Oficinas

15h – Mesa de Diálogo com gestores públicos:

Dialogo com as políticas de sementes no semiárido, avanços e desafios para construção de políticas publicas

Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)

Governo do Estado da Paraíba

Secretaria de Agricultura Familiar do Estado da Paraíba

Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea)

Programa Sementes do Semiárido

Embrapa

Dia 16 de outubro, sexta-feira

9h – Atos simultâneos de denúncia em Campina Grande-PB

11h – Feira Estadual das Sementes da Paixão na Praça Clementino Procópio

13h – Benção inter-religiosa das Sementes da Paixão

14h – Almoço e retorno das Caravanas.