Arquivo para outubro 2015

VI Festa Estadual das Sementes da Paixão celebra conquistas na preservação das sementes e no campo das políticas públicas para a agroecologia

20/10/2015

A Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) realizou entre os dias 14 e 16 de outubro, a VI edição da “Festa Estadual das Sementes da Paixão”, que teve como lema: “Agricultura Familiar: guardiã da sociobiodiversidade, pela soberania alimentar, livre de transgênicos e agrotóxicos”. Os dois primeiros dias de evento foram realizados no Santuário de Padre Ibiapina, entre as cidades de Solânea e Arara-PB, na região do Polo da Borborema. Esta parte da programação foi dedicada à formação e reuniu mais de 350 agricultores e agricultoras das sete microrregiões da Paraíba onde a ASA-Paraíba está presente. Já o terceiro e último dia aconteceu em Campina Grande, com uma Feira Estadual de Sementes no centro da cidade. A ASA Paraíba é uma rede de mais 300 organizações que trabalham pelo fortalecimento da agricultura familiar de base agroecológica. Ela está ligada à Articulação Nacional do Semiárido (ASA Brasil) e as ASAs dos outros oito estados do Semiárido Brasileiro.

Abertura – A acolhida das caravanas foi realizada com trio de forró que animou a montagem da feira de sementes. No final da manhã foi realizada uma mística de abertura, que abordou os dois modelos de agricultura em disputa. Um primeiro, o do agronegócio, com as grandes corporações produtoras de transgênicos e agrotóxicos, a bancada ruralista e a pesquisa à serviço do agronegócio. E a do modelo de convivência com o Semiárido, que defende a agricultura familiar agroecológica e a soberania dos povos tradicionais. Uma homenagem aos mais de 30 convidados de outras ASAs estaduais foi feita com as diversas denominações que as sementes crioulas têm nos outros estados: “Sementes da Fartura”, “Sementes da Resistência”, “Sementes Nativas”, entre outras. Foram relembradas ainda os conteúdos e os resultados das festas anteriores.

Mesas de diálogo – No período da tarde, duas mesas de diálogo trouxeram, primeiro uma reflexão sobre as conquistas e os acúmulos dos últimos 20 anos de trabalho pela preservação e pelo fortalecimento das Sementes da Paixão no Estado e em todo o Semiárido, com depoimentos de guardiões e guardiãs e de lideranças agricultoras. Já a segunda mesa trouxe um panorama sobre a conjuntura atual das políticas públicas para as sementes e também as suas ameaças ou desafios. A agricultora e liderança do Polo a Borborema, Roselita Vitor, do Assentamento Queimadas, em Remígio-PB destacou o papel das famílias guardiãs para a humanidade: “Se os guardiões não existissem, a gente não teria o que comer, sem as sementes crioulas, a gente não vive, elas são a autonomia das famílias, garantia de saúde. A nossa luta é de resistência, devemos essa luta as agricultoras e agricultores. Se a gente não tivesse a experiência prática das Sementes das Paixão, nós não teríamos condições de enfrentar o modelo do agronegócio”, afirmou.

Gabriel Fernandes da AS-PTA debateu a conjuntura atual e ressaltou a importância da instituição de uma Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo), que pela primeira vez apontou a agroecologia e a agricultura familiar como um caminho viável para o desenvolvimento do país, fruto de uma luta histórica dos movimentos sociais como a ASA. Gabriel também ressaltou as contradições do governo que institucionalizou a agroecologia e ao mesmo tempo deu força para os transgênicos e aumentou os investimentos para o agronegócio.

O primeiro dia foi encerrado com um cine debate sobre a democratização da comunicação, com a exibição do vídeo “Levante sua voz”, do Coletivo de Comunicação Social Intervozes, e também se coletou assinaturas para o Projeto de Lei da Mídia Democrática.

Oficinas temáticas – No segundo dia de formação, os participantes se dividiram em sete oficinas sobre os seguintes temas: Gestão, Organização e Armazenamento das sementes nos Bancos de Sementes Comunitários (BSC); Integrando as sementes florestais e frutíferas nos BSC; Produção, Seleção das Sementes; Sementes dos animais; Produção das sementes de hortaliças; Beneficiamento de frutas nativas e adaptadas e Bancos de Germoplasma.

Cada oficina contou com a apresentação de uma experiência local e uma experiência vinda de outros territórios, a exemplo da Oficina “Integrando as sementes florestais e frutíferas nos BSC”. Com o objetivo de socializar conhecimentos de manejo, plantio, colheita, armazenamento das sementes florestais e frutíferas, foram apresentadas as experiências dos jovens coletores de sementes florestais da região do Polo da Borborema, na Paraíba e dos integrantes do Povo Xucurus do Ororubá do estado de Pernambuco.

Carta Política – Na tarde do segundo dia, dois jovens fizeram a leitura da carta política da VI Festa das Sementes da Paixão. O documento trouxe as principais reivindicações e conquistas ao longo do processo de trabalho da ASA Paraíba em torno da preservação e conservação das sementes crioulas. Segundo a carta “esse patrimônio inalienável constitui um bem comum, indispensável para a convivência com o Semiárido em bases agroecológicas para a garantia da soberania e segurança alimentar e nutricional e para enfrentar as mudanças climáticas”.

A carta também faz uma referência à Semana Mundial da Alimentação, período em que aconteceu a festa: “Na semana em que é celebrado o dia mundial da alimentação, juntamos nossas forças ao Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar) em defesa da comida de verdade no campo e na cidade”, continua o documento. A carta se posicionou ainda contra os ataques à democracia na conjuntura atual: “Nos manifestamos contra qualquer ameaça à democracia e a retirada de direitos duramente conquistados. Reafirmamos a necessidade de continuarmos ativos e vigilantes, mantendo a disposição para lutar em defesa dos princípios democráticos e pela agroecologia”.

Após esse momento, uma mesa de diálogo reuniu representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido da Paraíba, do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O Secretário de Agricultura Familiar da Paraíba, Lenildo Morais, anunciou iniciativas que a sua pasta está desenvolvendo no campo da agricultura familiar a exemplo da conclusão da cessão do espaço do Banco Mãe de Sementes de Lagoa Seca ao Polo da Borborema, dinâmica integrante da ASA Paraíba, onde deverá funcionar uma mini fábrica de cuscuz orgânico e livre de transgênico, com recursos do Projeto Cooperar. Também anunciou a implementação de 2 mil barragens subterrâneas no Cariri do Estado.

O gestor destacou ainda o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) voltado para Sementes de 2016, com um projeto com orçamento de 1,5 milhão de reais: “A prioridade deste projeto é fortalecer os bancos-mãe de sementes do estado da Paraíba. Pela primeira vez vamos adquirir sementes de fava, de arroz vermelho do Vale do Piancó. Queremos fazer com que as sementes de feijão e de milho que vocês produzem possam ser também adquiridas. Estamos concluindo o nosso projeto de produção de sementes e mudas crioulas para o próximo ano. O Governador não quer mais comprar sementes como as que vinham sendo compradas. A ideia é viabilizar um programa de sementes e de mudas que possam beneficiar os agricultores e agricultoras da Paraíba. Esse é o nosso compromisso, a ASA é quem vai estar conosco no dia a dia da condução desse processo”, finalizou.

Naidson Baptista Quintela da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) e também representante do Consea em sua fala destacou o protagonismo da Paraíba no trabalho com as sementes da Paixão e os avanços dessa trajetória, entre eles o apoio dos programas de cisternas às casas de sementes e a criação do Programa Sementes do Semiárido: “É o exercício da política e da prática do estoque de água de consumo e de produção, de comida para os animais e de sementes de grãos e de animais que tem permitido ao povo viver bem no Semiárido nos momentos difíceis. Vocês sempre fizeram isso na Paraíba, é o que fazem, é o que celebram, vejam que isto aqui não é um encontro, é uma festa. Celebrar conquistas e se comprometer com o futuro”, disse. Naidson destacou ainda a pesquisa com 10 variedades de milho feita na Paraíba em parceria com a Embrapa Tabuleiros Costeiros que mostrou que as sementes dos agricultores apresentaram um resultado igual ou superior ao das variedades comerciais.

Após as falas e uma rodada de debate, Emanoel Dias, assessor técnico da AS-PTA e da rede de sementes da ASA Paraíba fez a entrega de uma carta destinada à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), assinada por todos os presentes à plenária. Na carta fez-se a denúncia de que o milho que a companhia vende a preços subsidiados para servir de alimento para os animais na Paraíba é transgênico. A comprovação veio depois que um teste rápido de transgenia foi feito com resultado positivo e em seguida as amostras foram enviadas a um laboratório nacional, que emitiu um laudo oficial comprovando a presença de transgênicos. A carta e o laudo foram entregues a Gustavo Guimarães, representante da Conab no evento. Segundo informação da própria companhia, apenas no ano de 2013, mais de 33 mil toneladas desses grãos foram comercializados na Paraíba. No Nordeste foram mais 400 toneladas no mesmo período.

Atos em Campina Grande – O terceiro e último dia da festa agricultoras e agricultores da Paraíba promoveram três atos simultâneos em defesa das sementes da paixão. Na Embrapa Algodão, exigiram pesquisas adaptadas à realidade da agricultura familiar e da agroecologia. Na Conab, pediram o fim da distribuição de milho transgênico, em uma empresa de cuscuz, alertaram à população sobre a necessidade de sabermos o que estamos comendo, com a permanência da rotulagem dos transgênicos. Após os três atos, foi aberta, na Praça Clementino Procópio, no Centro de Campina Grande, a Feira Estadual das Sementes da Paixão, que contou com a participação de mais de mil pessoas, vindas de todas as regiões do estado.

Representantes da Articulação do Semiárido Paraibano falaram sobre a importância da feira e das sementes da paixão para o povo do semiárido. “Agricultores e Agricultoras de todo o semiárido brasileiro estiveram reunidos durante esses três dias discutindo suas conquistas e levantando os desafios para continuar a luta, a favor de uma comida livre de transgênicos e agrotóxicos, livre da dominação e exploração das mulheres, uma garantia através das sementes da paixão”, disse Madalena Medeiros da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Paraíba). A coordenadora da ASA Paraíba, Maria da Glória Batista também falou sobre o papel que as políticas públicas de conivência com o semiárido têm desempenhado para a o fortalecimento da segurança e soberania alimentar.

Além da troca de sementes os agricultores e agricultoras também comercializaram seus produtos, entre eles as mudas de plantas medicinais, artesanatos, frutas, verduras, legumes, bolos, canjicas, doces, iogurtes e tapiocas. O grupo de mulheres do Assentamento Socorro, da cidade de Areia, produz bolos, doces e brigadeiros, todos feitos com banana, mas a novidade produzida pelo grupo “Doces Socorro” é a banana chips, um salgado feito com banana verde e sal. “Começamos a fazer depois de um curso lá na comunidade, ele tem o sabor de um salgado de batata e as pessoas gostam muito”, afirmou a integrante Josefa Teixeira. Na feira houve espaço ainda para testes rápidos de transgenia, com distribuição de certificados de “Livre de Transgênicos” para os guardiões que levaram as suas sementes para serem testadas.

A feira foi encerrada com uma benção inter-religiosa com representantes de praticantes de diversas religiões. A água, as sementes, a terra e a palma foram alguns elementos utilizados na benção para simbolizar a importância das sementes da paixão para as diversas comunidades, elementos que são essenciais para que a semente cresça e germine, garantindo alimento saudáveis as famílias agricultoras.

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Mesa de Diálogo com Gestores Públicos e Representantes de Entidades de Pesquisa Debate Políticas de Sementes no Semiárido

19/10/2015

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Na programação do segundo dia da VI Festa Estadual das Sementes da Paixão, na tarde desta quinta-feira (15), em Arara-PB, aconteceu a mesa “Diálogo com as políticas de sementes no Semiárido, avanços e desafios para construção de políticas publicas”. A mesa reuniu representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento do Semiárido da Paraíba, do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Glória Batista, da coordenação da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), coordenou o debate. Ela iniciou reafirmando a importância da realização das Festas: “Cada festa é um elo de continuidade do nosso trabalho. Nas festas nós refletimos a nossa história e construímos o nosso futuro, porque o tempo não para. Não poderíamos fazer uma festa só para pensar nos nossos acúmulos, precisamos também olhar os nossos desafios”, disse.

Carta política – Antes do início das falas, os jovens Alex Barbosa do GT de Juventude do Coletivo das Organizações da Agricultura Familiar e Mônica Lourenço, da Comissão de Jovens do Polo da Borborema, fizeram a leitura da carta política da VI FESP. O documento traz as principais reivindicações e conquistas ao longo do processo de trabalho da ASA Paraíba em torno da preservação e conservação das sementes crioulas que, segundo a carta “esse patrimônio inalienável constitui um bem comum, indispensável para a convivência com o Semiárido em bases agroecológicas para a garantia da soberania e segurança alimentar e nutricional e para enfrentar as mudanças climáticas”.

A carta também faz uma referência à Semana Mundial da Alimentação, período em que acontece a festa: “Na semana em que é celebrado o dia mundial da alimentação, juntamos nossas forças ao Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar) em defesa da comida de verdade no campo e na cidade”, continua o documento. A carta se posicionou ainda contra os ataques à democracia na conjuntura atual: “Nos manifestamos contra qualquer ameaça à democracia e a retirada de direitos duramente conquistados. Reafirmamos a necessidade de continuarmos ativos e vigilantes, mantendo a disposição para lutar em defesa dos princípios democráticos e pela agroecologia”.

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O primeiro convidado da mesa a falar foi Lenildo Morais, Secretário de Agricultura Familiar da Paraíba. O gestor saudou a iniciativa de se promover espaços de diálogo entre o poder público e os movimentos sociais do Semiárido. O Secretário anunciou ainda iniciativas que a sua pasta está desenvolvendo no campo da agricultura familiar a exemplo da conclusão da cessão do espaço do Banco Mãe de Sementes de Lagoa Seca ao Polo da Borborema, dinâmica integrante da ASA Paraíba, onde deverá funcionar uma mini fábrica de cuscuz orgânico e livre de transgênico, com recursos do Projeto Cooperar. Também a implementação de 2 mil barragens subterrâneas no Cariri do Estado.

Lenildo Morais destacou ainda o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) voltado para Sementes de 2016, com um projeto com orçamento de 1,5 milhão de reais: “A prioridade deste projeto é fortalecer os bancos mães de sementes do estado da Paraíba. Pela primeira vez vamos adquirir sementes de fava, de arroz vermelho do Vale do Piancó. Queremos fazer com que as sementes de feijão e de milho que vocês produzem possam ser também adquiridas. Estamos concluindo o nosso projeto de produção de sementes e mudas crioulas para o próximo ano. O Governador não quer mais comprar sementes como as que vinham sendo compradas. A ideia é viabilizar um programa de sementes e de mudas que possam beneficiar os agricultores e agricultoras da Paraíba. Esse é o nosso compromisso, a ASA é quem vai estar conosco no dia a dia da condução desse processo”, finalizou.

A segunda fala foi a de Nair Arriel, pesquisadora da área de recursos genéticos Embrapa. Segundo a pesquisadora, a Embrapa vem ampliando o seu espaço para discutir a agroecologia, a agricultura familiar e agrobiodiversidade, o que para ele, tem sido muito importante para os pesquisadores das mais de 40 unidades da entidade no país. Ela reafirmou a necessidade de as pesquisas estarem orientadas de acordo com cada contexto local e saudou o papel dos guardiões e guardiãs de sementes: “A manutenção da biodiversidade na mão dos agricultores tem sido extremamente importante para a pesquisa. Nós estamos preocupados com a diversidade que está armazenada nos Bancos de Sementes, que estão armazenando a diversidade local. Pra nós pesquisadores, esses bancos estarem nas mãos de vocês é extremamente importante. A Paraíba é um dos estados onde está armazenada a maior diversidade de fava, junto com outros colegas, vimos percorrendo áreas aqui e vendo também que algumas espécies foram perdidas, precisamos manter essa troca porque assim estamos mantendo também a biodiversidade”, afirmou.

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Representando o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) Fernando Letti destacou em sua fala o Programa Nacional de Sementes e Mudas, explorando os seus eixos de atuação e princípios. O convidado afirmou ainda que as sementes crioulas nas mãos dos agricultores representam não só a autonomia política e as sementes em seus bancos familiares, mas também a autonomia econômica, para que essas sementes gerem renda para os agricultores.

Naidson Baptista Quintella da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) e também representando o Consea, foi o último da mesa a falar. A liderança destacou o protagonismo da Paraíba no trabalho com as sementes da Paixão e os avanços dessa trajetória, entre eles o apoio dos programas de cisternas às casas de sementes e a criação do Programa Sementes do Semiárido: “É o exercício da política e da prática do estoque de água de consumo e de produção, de comida para os animais e de sementes de grãos e de animais que tem permitido ao povo viver bem no Semiárido nos momentos difíceis. Vocês sempre fizeram isso na Paraíba, é o que fazem, é o que celebram, vejam que isto aqui não é um encontro, é uma festa. Celebrar conquistas e se comprometer com o futuro”. Naidson destacou ainda a pesquisa com 10 variedades de milho feita na Paraíba em parceria com a Embrapa Tabuleiros Costeiros que mostrou que as sementes dos agricultores apresentaram um resultado igual ou superior ao das variedades comerciais.

“Sementinhas da Paixão” – Após a mesa, houve uma apresentação da ciranda infantil da VI FESP, espaço lúdico dedicado ao cuidado dos filhos e filhas dos participantes do evento. Cerca de 10 crianças cantaram uma música de roda, exibiram chocalhos e um cartaz produzidos com sementes e se declararam em alto som: “Somos sementinhas da paixão!!”.

Encerrando a plenária, Emanoel Dias, assessor técnico da AS-PTA e da rede de sementes da ASA Paraíba fez a entrega de uma carta destinada à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), assinada por todos os representantes da plenária contendo a denúncia de que o milho que a companhia vende a preços subsidiados para servir de alimento para os animais é transgênico. A comprovação veio depois que um teste rápido de transgenia foi feito com resultado positivo e em seguida essa amostra foi enviada a um laboratório nacional que emitiu um laudo oficial comprovando a presença de transgênicos. A carta e o laudo foram entregues a Gustavo Guimarães, representante da Conab no evento. Segundo informação da própria companhia, apenas no ano de 2013, mais de 33 mil toneladas desses grãos foram comercializados na Paraíba, no Nordeste foram mais 400 toneladas no mesmo período.

Agricultores e agricultoras realizam trocas de sementes na Feira da VI Festa Estadual das Sementes da Paixão

17/10/2015

12079206_416268445245324_2755875743002337106_nA VI Festa Estadual das Sementes da Paixão foi encerada nesta sexta-feira (16), com a Feira Estadual das Sementes da Paixão. A feira iniciou com o acolhimento das caravanas, ao som de muito forró, na Praça Clementino Procópio no centro de Campina Grande. Estavam presentes mais de 1000 agricultores e agricultoras guardiões de sementes de todo o semiárido brasileiro.

Em seguida, representantes da articulação do Semiárido falaram um pouco sobre a importância da feira e das sementes da paixão para o povo do semiárido. “Agricultores e Agricultoras de todo o semiárido brasileiro estiveram reunidos durante esses três dias discutindo suas conquistas e levantando os desafios para continuar a luta, a favor de uma comida livre de transgênicos e agrotóxicos, livre da dominação e exploração das mulheres, uma garantia através das sementes da paixão”, disse Madalena Medeiros da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Paraíba). A coordenadora da ASA Paraíba, Maria da Glória Batista também falou sobre o papel que as políticas públicas de conivência com o semiárido têm desempenhado para a o fortalecimento da segurança e soberania alimentar.

Durante a feira os guardiões e guardiãs tiveram a oportunidade de fazer a troca de suas sementes, um momento de partilha de conhecimento e experiências. Para o agricultor Raimundo da Silva do Assentamento José Antônio Eufrouzino, município de Campina Grande, a feira foi um momento muito importante para troca de saberes. “Há dez anos que eu guardo minhas sementes da paixão, hoje eu tenho uma grande variedade, tenho milho branco, milho Jaboatão, milho preto, milho pontinha, feijão carrapatinho e com essa variedade eu tenho a garantia de que minha família consome uma comida saudável, falou o agricultor Raimundo que também realizou a troca das sementes do feijão carrapatinho por fava. “Eu não tinha essa semente de fava e nos próximos anos eu já vou trocar um pouco dessa semente de fava com outro agricultor, isso tudo é muito bom” afirmou.

12107079_416268515245317_5281976891047299153_nA agricultora Raimunda Soares Costa, 58 anos, da comunidade Tacima região do Curimataú Paraibano, também falou sobre a importância da troca de sementes.“Aqui a gente coloca em prática o que gente luta e vivencia. A troca de sementes é uma convivência entre os agricultores para não perder as sementes da paixão, é a semente que alimenta nosso povo e a gente precisar dar continuidade a ela”, falou Raimunda. Durante a feira, os agricultores também realizaram o teste de transgênia em suas sementes para se certificarem que suas sementes realmente estão livres dos transgênicos.

12141548_416268558578646_8437115556947057528_nAlém da troca de sementes os agricultores e agricultoras também comercializaram seus produtos, entre eles as mudas de plantas medicinais, artesanatos, frutas, verduras, legumes, bolos, canjicas, doces, iogurtes e tapiocas. O grupo de mulheres do Assentamento Socorro, da cidade de Areia, produzem bolos, doces e brigadeiros, todos feitos com banana, mas a novidade produzida pelo grupo “Doces Socorro” é banana chips, um salgado feito com banana verde e sal. “A gente começou a produzir a banana chips depois de uma curso lá na comunidade, ele tem o sabor de um salgado de batata e as pessoas gostam muito”, afirmou a integrante Josefa Teixeira.

A feira encerrou com uma benção inter religiosa com representantes de praticantes de diversas religiões. A água, as sementes, a terra e a palma foram alguns elementos utilizados na benção para simbolizar a importância das sementes da paixão para as diversas comunidades, elementos que são essenciais para que a semente cresça e germine, garantindo alimento saudáveis as famílias agricultoras.

ASA encerra VI Festa Estadual das Sementes com mobilizações contra os transgênicos e contra ao uso de agrotóxicos

17/10/2015

12122915_416263881912447_6301145860164013166_nA VI Festa Estadual das Sementes da Paixão foi encerrada na última sexta-feira (06) em Campina Grande com a realização de três atos públicos que tiveram como objetivo dialogar sobre o Dia Mundial da Alimentação Saudável (comemorado no dia 06) chamando a atenção sobre o consumo de alimentos transgênicos e o uso de agrotóxicos.

Os participantes se dividiram nos três atos, um aconteceu na Embrapa, outro na Conab e um na Vitamilho. Na Conab lideranças agricultoras da ASA, junto ao MST entraram no local onde está instalado o órgão e distribuíram panfletos aos funcionários com denúncias sobre a transgenia.

Os ativistas fizeram falas políticas em defesa das Sementes da Paixão e exigiram da Conab a não distribuição de milho transgênico e a identificação da transgenia na ração animal que está sendo levada e distribuída nas comunidades.

As falas políticas foram intercaladas com gritos de ordem:

“Se for transgênico, não planto não, minha semente é Semente da Paixão”

“Contra aos transgênicos, Sementes da Paixão”

12115977_416263865245782_6794859792740636621_nFaixas foram espalhadas por toda a extensão do prédio e um grande banner contendo o “T” da transgenia foi estendido em cima do nome Conab.

Em seguida, um documento sobre a pesquisa realizada pela ASPTA que comprova que o milho distribuído pela Companhia é transgênico foi entregue ao representante do escritório em Campina Grande, João Cassimiro, que se comprometeu em encaminhar ao superintendente em João Pessoa.

Por fim, uma grande marcha foi feita em torno do prédio enquanto se cantava “Esse é o nosso país… Essa é a nossa bandeira… É por amor a essa pátria Brasil, que a gente segue em fileira”, encerrando o ato com uma ciranda.

Ato Público durante a VI Festa das Sementes da Paixão na Paraíba pede por uma “Embrapa Agroecológica”

17/10/2015

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Na manhã do terceiro e último dia da VI Festa Estadual das Sementes da Paixão, um ato público foi realizado na frente do prédio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Algodão em Campina Grande-PB. Cerca de 100 pessoas, agricultores e agricultoras participantes da Festa, ocuparam a entrada do prédio e fizeram uma roda, na forma de um abraço simbólico à entidade.
Com faixas eles pediram por mais pesquisas participativas no Semiárido, por uma Embrapa coerente com a realidade das famílias agricultoras e com respeito ao saber popular acumulado pelos camponeses e camponesas. Os participantes do ato receberam apoio de um grupo de pesquisadores da entidade, que saíram e posaram para fotos junto com os agricultores.
Waltemilton Cartaxo é analista da Embrapa e saudou a iniciativa do ato e o trabalho da ASA Paraíba em torno das sementes da paixão: “A Embrapa tem que trabalhar pra os agricultores mesmo, a gestão tem que estar focada nisso, um pouco do que a Embrapa já faz, das cinco culturas que trabalhamos aqui (mamona, gergelim, amendoim, algodão e sisal), todas são de famílias agricultoras, mas precisamos fazer ainda mais”, disse.
Seu José Leal, agricultor do Sítio Floriano, município de Lagoa Seca, usou o microfone para fazer um apelo à juventude: “Para que no amanhã eles sigam o nosso exemplo e levam adiante o nosso compromisso da agricultura familiar agroecológica”. Durante o ato, os participantes distribuíram material sobre o risco dos transgênicos e em defesa da rotulagem destes produtos.

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Ao final, uma comissão de representantes foi recebida pelo Chefe Geral, Sebastião Barbosa, ele recebeu das mãos de Roselita Vitor e Glória Batista da Coordenação Executiva da Articulação do Semiárido Paraibano, uma cópia da Carta Política da VI FESP. “Venho de uma família muito simples, penso que não temos o direito de perpetuar a miséria. Por tudo isso, temos um programa de pesquisa sério e o pessoal aqui está muito dedicado a ajudar a melhorar as condições de vida dos agricultores”, afirmou o chefe geral.
Roselita Vitor lembrou a importância de iniciativas como a da pesquisa participativa que foi lançada em 2012 numa parceria entre a ASA e a Embrapa Tabuleiros Costeiros, de Sergipe, que comprovou a viabilidade econômica das sementes dos agricultores quando comparadas às sementes comerciais.

Conjunto de Oficinas temáticas integra as atividades de formação da VI Festa Estadual das Sementes da Paixão

16/10/2015

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Como parte integrante das atividades da VI Festa Estadual das Sementes da Paixão, ocorreu na manhã de quinta-feira (15), diversas oficinas temáticas, no sentido de ampliar a formação das famílias agricultoras e definir orientações para o melhoramento do trabalho dos Bancos de Sementes Comunitários.

No total foram sete oficinas sobre: Gestão, Organização e Armazenamento das sementes nos Bancos de Sementes Comunitários (BSC); Integrando as sementes florestais e frutíferas nos BSC; Produção, Seleção das Sementes; Sementes dos animais; Produção das sementes de hortaliças; Beneficiamento de frutas nativas e adaptadas e Bancos de Germoplasma.

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Cada oficina contou com a apresentação de uma experiência local e uma experiência vinda de fora. A exemplo da Oficina “Integrando as sementes florestais e frutíferas nos BSC” Com o objetivo de socializar conhecimentos de manejo, plantio, colheita, armazenamento das sementes florestais e frutíferas, jovens coletores de sementes florestais da região do Polo da Borborema na Paraíba e integrantes do Povo Xucurus do Ororubá do Estado de Pernambuco, compartilharam suas experiências.

Criada em 2010, a rede de viveiros do Polo da Borborema tem hoje nove viveiros ativos. “Estes viveiros facilitam o acesso das famílias agricultoras às sementes para o reflorestamento de suas propriedades e para toda a comunidade” afirma Monica Lourenço, jovem coletora integrante da rede.  A jovem afirma que a partir da identificação de municípios onde já não existia determinada espécie de planta, perceberam a necessidade de criar a rede de coletores.

“A rede de coletores foi criada em 2012, com a participação dos jovens. No começo o grupo não sabia a época de coletar ou como coletar. Foi a partir daí que pensamos em uma cartilha de calendário de coleta e construímos ela a partir das experiências de cada município. A juventude se reúne periodicamente e faz a coleta. Após a coleta, as sementes são encaminhadas para os viveiros. Atualmente já tem jovem adquirindo uma renda extra comercializando as mudas cultivadas”, explicou Mônica, moradora do Assentamento Caiana em Massaranduba.

A agricultora coletora Josefa Miranda dos Santos também deixou seu depoimento durante a oficina: “Sou coletora de sementes. Faço reflorestamento no meu sítio, tenho uma matinha e cerca viva. Eu planto espécies nativas. Esse trabalho de coleta é muito importante, porque lá na mata talvez tenha uma árvore que esteja em extinção e você vai colher, repassar pra outros agricultores que podem plantar em suas propriedades. Então a gente ta preservando a natureza, as árvores, mas vai chegar um tempo que nossos netos e bisnetos não terão a oportunidade de conhecer. Temos que preservar a natureza e a flora, pois você vê que tem muito desmate. Vamos dar as mãos e vamos abraçar essa causa que é muito importante. Vamos dar vida à mãe terra, pois ela ta precisando muito da gente”, disse dona Josefa.

Ressaltando a importância do princípio da espiritualidade e reconexão com a natureza os Povos Xucurus iniciaram sua apresentação com um toré. Nele uma frase se destaca “Quem quiser ver a ciência, vai na mata procurar… Achei um castelo de ouro, lá na mata de Orubá”.

De forma resumida, os indígenas expressaram um pouco de seus conhecimentos, mas deixado sempre uma provocação ao fundo. Segundo ele, para avançarmos enquanto sociedade, enquanto ciência, precisamos nos reconectar com nossa espiritualidade, ou seja, com nossa própria natureza: “O povo é um território que não é só físico, é político e espiritual. A espiritualidade é a base de tudo. Esse conjunto de conhecimento vem desse dialogo com a natureza. É outro tempo é outra compreensão é outra forma de agir, esse mundo dos encantados é que orienta e referenda. Precisamos estar sempre em contato com esses outros seres”, afirmou Iram Xucuru, integrante do grupo.

O povo Xucuru habita a Serra de Ororubá, no município de Pesqueira, Pernambuco. Atualmente estão em aproximadamente 15 mil pessoas. Iram, falou ainda sobre a luta de seu povo pelo reconhecimento dos seus direitos, enquanto indígenas, agricultores e humanos. “As politicas públicas ignoram as diversidades, generalizam tudo e todos, sem considerar o contexto histórico de cada povo, esvaziando a cultura e os conhecimentos históricos de cada povo. Precisamos fortalecer e cultivar esses conhecimentos”, disse Iram.

Entre as lições transmitidas durante a oficina destacaram-se: A importância do trabalho em rede, com o olhar para as demandas que compõe o território; a conservação das sementes florestais e frutíferas; a valorização da troca e conhecimentos. O grupo ainda se comprometeu em analisar os impactos que estamos causando na natureza, com o desmatamento e descarte de materiais; ampliar a capacidade de estoque de sementes para integrar as sementes florestais e frutíferas nos Bancos de Sementes Comunitários; como ainda, melhorar a forma de armazenamento das sementes, além de outros compromissos.

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Socialização – No início da tarde, uma dupla de representantes de cada oficina apresentou os resultados das discussões ocorridas na parte da manhã. Um dos principais elementos que se repetiu na maioria das discussões foi a importância do papel das mulheres e jovens na conservação das sementes da paixão, seja esta a semente animal, das plantas medicinais, das sementes de plantio, frutíferas ou florestais, dos conhecimentos e da cultura camponesa.

Além disso, o compromisso marcado por todos foi reafirmado no fim das apresentações, dar continuidade aos processos de fortalecimento das ações que estão sendo desenvolvidas na perspectiva de resistência e da vida no semiárido.

Por fim, a palavra de ordem que ecoou na plenária foi a seguinte: “É no Semiárido que a vida pulsa! É no Semiárido que as Sementes Resistem!”.

Guardiões e guardiãs partilham sementes na primeira noite da VI Festa das Sementes da Paixão

15/10/2015

Ao som de muito arrastapé e da programação da rádio livre ‘Sementes da Paixão’, foi assim que começou a noite do primeiro dia da VI Festa Estadual das Sementes da Paixão, que está sendo realizada de 14 a 16 de outubro, na cidade de Arara, na Paraíba. A festa tem como objetivo promover a grande troca de sementes crioulas entre os guardiões e guardiãs vindos de diversas cidades paraibanas e até outros estados, além da confraternização entre os territórios e o fortalecimento das práticas agroecológicas no semiárido.

DSC_0335

DSC_0368A partir das 19h, foi exibido o filme “Levante sua voz”, seguido de um debate sobre a democratização da mídia brasileira.
O vídeo retrata a realidade dos meios alternativos de comunicação que enfrentam a burocracia para exercer o direito de comunicar.

Em seguida, os agricultores e agricultoras seguiram para a feira, onde foram montadas barracas para a comercialização e troca de variedades de sementes de milho, feijão, fava, plantas ornamentais e frutíferas, além de doces e peças artesanais, trazidas por agricultores e agricultoras. O agricultor Francisco Gomes Soares, da cidade de Santa Cruz-PE, participou pela primeira vez da Festa das Sementes da Paixão. “Minha semente da paixão é o feijão ‘Sempre Verde’, que tenho há 24 anos. Essa é a primeira vez que participo da festa e vim à procura do milho roxo, uma semente que eu havia perdido há 20 anos e graças a Deus encontrei”, relata o agricultor.

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