Arquivo para outubro 2015

Mesas de diálogos na VI FESP destacam avanços e desafios das Políticas Públicas de Sementes no Semiárido

15/10/2015

DSC_0037Duas mesas de diálogo aconteceram na tarde desta quarta-feira, 14, primeiro dia da VI Festa Estadual das Sementes da Paixão e refletiram sobre: ‘O fortalecimento e ampliação das redes de seguridade de Sementes da Paixão no semiárido paraibano/brasileiro e o ‘Panorama das políticas públicas:  Conquistas e Ameaças a agrobiodiversidade no contexto do Semiárido brasileiro’.

Na primeira mesa, a agricultora Solange José, de Capoeiras, Cubatí  falou da experiência de ser guardiã das Sementes da Paixão: “É um prazer falar de sementes e da sua conservação, desde criança que aprendi com minha mãe a guardar, principalmente, as de hortaliças. Já a  fava Ceará, conheci através da minha sogra, já faz mais de 10 anos que cultivo essa semente junto com  minha família. Ser guardião pra mim é proteger, é multiplicar. Se guardarmos as sementes estamos protegendo a vida. Quero também falar da importância de se repassar esse conhecimento, porque é como diz na Bíblia, se Deus nos dá um talento é preciso multiplicar”.

O trabalho das mulheres também foi lembrando pela agricultora “É preciso valorizar também através das sementes, o papel das mulheres camponesas porque foram elas que conservaram por toda vida as Sementes da Paixão”. Por fim, Solange ressaltou ainda a importância dos bancos de sementes para a segurança alimentar das famílias.

Outro depoimento foi da agricultora e liderança do Polo a Borborema, Roselita Vitor, do Assentamento Queimadas, em Remígio-PB. Ela destacou o papel das famílias guardiãs ara a humanidade: “Se os guardiões não existissem, a gente não teria o que comer, sem as sementes crioulas, a gente não vive, elas são a autonomia das famílias, garantia de saúde. A nossa luta é de resistência, devemos essa luta as agricultoras e agricultores. Se a gente não tivesse a experiência prática das Sementes das Paixão, nós não teríamos condições de enfrentar o modelo do agronegócio”, afirmou.

O representante da Rede de Sementes da ASA Paraíba e assessor técnico da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, Emanoel Dias, trouxe em sua fala o que considera três eixos importantes para as redes de seguridade de sementes do Semiárido: “O primeiro se dedica à diversidade genética que nós temos no semiárido – a sabedoria camponesa que anda em harmonia com a natureza”. Outro eixo citado é o trabalho em rede, o trabalho da coletividade para fortalecer os temas que motivam as ações da ASA: “Sozinhos não vamos muito longe, o esforço de revitalizar os Bancos Comunitários de Sementes tem um grande papel para a construção em rede, porém temos que aumentar o número de bancos, até quando nós vamos continuar falando de 225 bancos de sementes na Paraíba? Temos que nos fortalecer porque quando o agronegócio vem ele vem com força. Precisamos pensar nos agricultores que não estão nesses bancos. Pensar na retomada do diálogo com o governo da Paraíba”. Por último, o terceiro eixo, segundo Emanuel, são as conquistas reconhecidas da primeira edição da festa até esta última, dentre elas, ele citou o fortalecimento dos BCS e o acesso a pesquisa: “As pesquisas ajudaram as instituições e organizações a reconhecerem as nossas sementes”.

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Já a representante da Articulação Semiárido Brasileiro (Asa Brasil), Cristina Nascimento, disse que sem o trabalho dos agricultores a ação em rede seria morta e falou que o Programa uma Terra e Duas Águas (P1+2) trouxe para a centralidade das políticas públicas o debate da produção de alimentos saudáveis. Sobre as Sementes, ela ressaltou que a base do tema das Sementes da Paixão é a ASA PB, porque ela sempre pautou esse assunto na ASA Brasil. Ela falou da novidade do Programa de Sementes, desenvolvido pela ASA em parceria com o governo: “Nós não podíamos reproduzir um projeto que incentivasse a distribuição de sementes, é preciso trazer o debate das sementes a partir do que cada agricultor e cada agricultora faz. Nós não queremos padronizar, nós não queremos criar modelos e sim trazer para a ciranda da ASA as mais diversas variedades”, finalizou.

A segunda mesa teve como facilitador o assessor técnico da AS-PTA integrante da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO), Gabriel Fernandes, que iniciou sua fala afirmando: “As Sementes da Paixão são patrimônio da humanidade e a juventude rural é a grande herdeira desse patrimônio genético”. Gabriel saudou a presença dos povos indígenas na festa e celebrou o que segundo ele é a grande conquista desta edição da Festa das Sementes da Paixão, a institucionalização da agroecologia: “Nós temos nesta festa o marco da instituição da agroecologia, cada vez mais a gente esta conseguido mobilizar a academia e as pesquisas para fortalecer Agricultura Familiar de base agroecológica e nós entramos neste caminho porque acreditamos que a agroecologia é o modelo sustentável para a agricultura deste país. E tudo isso, foi sendo construído em espaços como esse, da Festa das Sementes”.

O palestrante destacou a importância da reforma agrária para consolidação de um projeto agroecológico: “Nós só vamos avançar quando o acesso a terra passar a ser parte estruturante para o projeto da agroecologia no Brasil”. Entre os desafios apontados por ele, estão Politica Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica que precisa respeitar a diversidade dos territórios; A distribuição exacerbada de sementes de outras regiões; O Programa Nacional de Sementes e Mudas que, segundo ele, precisa avançar em relação as políticas de sementes.

Outro ponto explorado por ele foi o avanços dos transgênicos: “O Brasil é o primeiro usuário de agrotóxicos do mundo e também o egundo em consumir transgênicos. Outra preocupação é com as Sementes da Conab que são vendidas como ração, pois o órgão não informa que essa semente é transgênica, com o risco de essa semente ser plantada e vir a contaminar as sementes da Paixão”. Gabriel falou ainda sobre o enfretamento sobre a retirada da rotulagem dos transgênicos e sobre o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) problema de mudança de concepção do PAA, antes, era um programa que incentivava a sociedade a oferecer sua produção e a agora o governo é quem está demandando o que quer comprar. O PAA  tá no campo de disputa.

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Como avanços, Gabriel enumerou: “O Programa Sementes do Semiárido, que  foi criado para valorizar as famílias e as sementes crioulas;  A ciência brasileira está refazendo seus discursos, já conseguimos isso quando nossas sementes foram reconhecidas; A mesma Embrapa que trabalha com o agronegócio, também abriu as portas para pesquisar nossas sementes”. Ainda como avanços foram citados o novo Pronaf, que vai ser menos vantajoso para quem plantar transgênico e o reconhecimento do papel que cumpre cada guardiã e cada guardião com as sementes.

Gabriel encerrou reafirmando a importância política da Festa das Sementes para o projeto de convivência com o Semiárido: “A festa é momento muito importante para o fortalecimento do nosso projeto, ela vem nos reanimar e reafirmar nosso compromisso com a Agricultura Familar”.

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Mística de abertura da VI Festa Estadual das Sementes da Paixão resgata história dos povos camponeses

15/10/2015

Com mais de 300 pessoas reunidas na manhã desta quarta-feira (14), no auditório do Santuário de Padre Ibiapina, em Arara, a Articulação Semiárido Paraibano (Asa Paraíba) abriu a VI edição da Festa Estadual das Sementes Paixão.

12088327_415861368619365_6459635398919646188_nA mística de abertura do evento trouxe a disputa entre os dois modelos de agricultura, de um lado o agronegócio e as grandes corporações de transgênicos e agrotóxicos, e de outro lado os povos tradicionais, indígenas, camponeses, guardiões e guardiãs da agrobiodiversidade. Em uma mistura de alegria, emoção e memórias apresentou os vários povos enfrentando a ameaça do agronegócio, para o projeto de convivência com o Semiárido que a ASA vem construindo.

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Ao som da música de Chico Cesar “Reis do Agronegócio” pessoas representando a morte, a bancada ruralista e técnicos pulverizando veneno em plantações, foram expulsos pelos povos camponeses dos seus territórios, simbolizando a luta em defesa das Sementes da Paixão.

Em seguida, um resgate histórico das festas anteriores foi realizado com a entrada dos estandartes relembrando os vários temas e locais onde já foi celebrada a festa das Sementes da Paixão.

Poemas e depoimentos de agricultores e agricultoras emocionaram o plenário e reafirmaram a importância de celebrar esse tema em um contexto de tantos desafios.

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A agricultora Betânia Buriti, da Comunidade Canoa de Dentro, município de Pedra Lavrada, explicou que a sua Semente da Paixão é a Erva Babosa, planta medicinal do Semiárido usada para diversos problemas de saúde: “Sou guardiã da Erva Babosa, aprendi com minha mãe a usá-la como planta medicinal e isso têm trazido muitos benefícios a mim e a minha família”.

Já para o agricultor Heleno Silva Pereira , da Serra de Teixeira, no Alto Sertão Paraibano, a conservação das sementes de animais é fundamental para a biodiversidade do Semiárido. Ele é guardião de cabras e vacas nativas, que chama de “Pé Duro”: “Muita gente deixa de ter a vaca adaptada a nossa região que dá 10 litros de leite independente de ração, para criar uma vaca que precisa de vários tipos de ração para poder dar leite”.

E foi neste clima de pertencimento e defesa da agricultura familiar que a programação da manhã foi encerrada ao som da música “Pai Nosso dos Mártires” que foi cantada por todo o público presente de forma solene em alusão a luta e a resistência das sementes crioulas.

A VI edição da Festa Estadual das Sementes da Paixão conta com a presença de representações e lideranças agricultoras dos territórios do Alto Sertão, Médio Sertão, Cariri, Seridó, Curimataú e Borborema, além de integrantes da Articulação Semiárido Brasileiro (Asa Brasil), Asas de outros estados do Semiárido, povos indígenas Xucuru de Ororubá e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Juventude da Articulação do Semiárido Paraibano realiza panfletagem e adesivagem alertando sobre os riscos dos transgênicos

08/10/2015

12108219_10207088924653336_8705475080863607839_nCerca de 30 jovens camponeses de várias regiões da Paraíba participaram nessa quinta-feira(08) em Campina Grande de um ato contra os transgênicos e o fim da rotulagem de alimentos. A atividade é parte da preparação para a VI Festa Estadual das Sementes da Paixão, que acontece na região do Polo da Borborema entre os dias 14 e 16 de outubro.

Reunidos na praça Clementino Procópio, eles participara antes de uma roda de conversa que discutiu a importância do combate aos transgênicos, assim como a ameaça da proposta do fim da rotulagem das embalagens dos alimentos. O projeto 34/2015, a ser votado nos próximos meses, veta a rotulagem desses produtos, privando a sociedade ao direto de informação sobre os alimentos que ele consome.

12119120_10207088917733163_3101340450705169039_nCom panfletos, adesivos, faixas e cartazes os jovens percorreram o centro de Campina Grande, dialogando e infomando a comunidade sobre os riscos do consumo de alimentos transgênicos. Pesquisas mostram que o consumo desses produtos pode fazer mal à saúde e que o plantio dessas sementes pode afetar o meio ambiente, já que essas plantações recebem altos níveis de agrotóxicos.

12119025_10207088915813115_7726999794766805108_nAo final da manhã, reunidos no local do início do ato, os participantes fizeram um balanço sobre a ação e afirmaram a necessidade de dar continuade a essa ação também em seus municípios. Por fim, antes de dispersarem os jovens reafirmaram o seu compromisso de guardiões gritando juntos: “Contra os transgênicos, Sementes da Paixão!”

Articulação do Semiárido Paraibano realiza VI Festa Estadual das Sementes da Paixão na Semana Mundial da Alimentação

06/10/2015

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A Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba) realizará entre os dias 14 e 16 de outubro, dentro da Semana Mundial da Alimentação, a VI Festa Estadual das Sementes da Paixão. Com o tema: “Agricultura Familiar guardiã da sociobiodiversidade, pela soberania alimentar, livre de transgênicos e agrotóxicos”, o evento acontecerá no Santuário de Padre Ibiapina Santa Fé, município de Arara, no Curimataú Paraibano, em seus dois primeiros dias, no último dia, a programação do evento ocorrerá em Campina Grande-PB, na Praça Clementino Procópio, com uma Feira Estadual de Sementes no dia 16 de outubro, sexta-feira, Dia Mundial da Alimentação.

Os objetivos da Festa são valorizar o papel das famílias agricultoras guardiãs das sementes crioulas no estado da Paraíba; Refletir sobre a importância dos Bancos de Sementes Comunitários (BSC) na produção de alimentos e enfrentamento dos períodos de estiagem prolongados; Promover o intercâmbio de experiências agroecológicas de valorização das sementes da paixão; Fortalecer a Rede Sementes da ASA Paraíba como estratégia de luta e resistência pela conservação da agrobiodiversidade; Refletir sobre o livre uso das sementes da paixão e as ameaças à agrobiodiversidade e por fim, Construir mecanismos para as políticas públicas de sementes no Semiárido Paraibano.

SOBRE A ASA – A ASA Paraíba é uma rede de cerca de 300 organizações que trabalham pelo fortalecimento da agricultura familiar de base agroecológica, organizada em sete territórios ou microrregiões da Paraíba (Cariri, Agreste, Borborema, Seridó, Curimataú, Alto e Médio Sertão). Sementes da Paixão foi o nome dado no estado às sementes crioulas ou nativas, cultivadas e conservadas pelas famílias camponesas há várias gerações. Em outros estados do Semiárido Brasileiro estas sementes são conhecidas como “Sementes da Resistência”, “Sementes da Fartura”, entre outros.

A sexta edição da Festa Estadual das Sementes da Paixão vai reunir, nos dois primeiros dias (14 e 15), cerca de 300 pessoas, agricultoras e agricultores familiares, assessores técnicos, estudantes e pesquisadores da temática, gestores públicos e outros convidados. Já no último dia de evento (16), a programação é aberta ao público e são esperadas 1.300 pessoas em um grande ato público em que o objetivo é dialogar com a sociedade sobre a importância do trabalho em torno das sementes da paixão para reprodução da vida na agricultura.

Programação – A festa conta com mesas de diálogo onde se debaterá a conjuntura da política de sementes para o Semiárido e o cenário de ameaças à agrobiodiversidade representada pelo uso de agrotóxicos e transgênicos, além de sete oficinas temáticas: 1 Gestão, Organização e Armazenamento das Sementes nos BSC; 2 Integrando as sementes florestais e frutíferas nos BSC; 3 Produção, Seleção e Comercialização das Sementes – Foco PAA;  4 Sementes dos animais; 5 Produção das sementes de hortaliças;  6 Beneficiamento de frutas nativas e adaptadas; 7 Armazenamento e abertura de unidades conservadoras de material genético (bancos de germoplasma);

 

Serão realizadas feiras em Arara e Campina Grande com barracas expondo experiências e produtos da agricultura familiar, além de testes rápidos para identificação de sementes transgênicas – com emissão de certificados “livre de transgênicos” para os resultados negativos a alterações genéticas – e troca de sementes entre agricultoras e agricultores.

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HISTÓRICO – A realização das festas estaduais das Sementes da Paixão, desde 2003, tem cumprido um papel estratégico na dinâmica de trabalho das organizações da Articulação do Semiárido Paraibano, se constituindo como um espaço privilegiado de troca de experiências e fortalecimento de uma rede de guardiões e guardiãs de sementes, que atualmente conta com aproximadamente 220 bancos comunitários de sementes e milhares de bancos familiares. Essas iniciativas tem representado uma verdadeira resistência das famílias agricultoras à entrada das sementes transgênicas e às políticas de distribuição de sementes dos governos que se constituem em um entrave ao acesso dos agricultores à sua semente no momento certo de plantar.

Programação da 6ª Festa Estadual das Sementes da Paixão

 

Dia 14 de outubro, quarta-feira

 

9h – Chegada e Inscrição dos participantes | Montagem da feira de sementes | Mística de abertura

10h – Abertura Oficial da Festa Estadual das Sementes da Paixão

Mesa 1: Oportunidade de afirmar os princípios, conquistas e os desafios do trabalho da Rede de Bancos Comunitários de Sementes da ASA Paraíba

Mesa 2: Panorama das políticas publicas conquistas e ameaças a agrobiodiversidade no contexto do semiárido brasileiro

Painelista: Gabriel Fernandes (AS-PTA, CNAPO, Campanha por um Brasil Livre de Transgênicos e Agrotóxicos)

19h – Vídeo-debate sobre a Democratização da Comunicação

 

20h – Abertura da Feira de Sementes das Sementes (Forro na Feira)

Museu de Padre ibiapina | Barracas com testes de transgenia e emissão de certificado livre de transgênicos

 

 

Dia 15 de outubro, quinta-feira

8h – Mística de abertura e início das atividades

Fala de abertura e orientações para divisão dos grupos;

Oficina 1: Gestão, Organização e Armazenamento das sementes nos BSC;

Oficina 2: Integrando as sementes florestais e frutíferas nos BSC;

Oficina 3: Produção, Seleção e Comercialização das Sementes – Foco PAA;

Oficina 4: Sementes dos animais;

Oficina 5: Produção das sementes de hortaliças;

Oficina 6: Beneficiamento de frutas nativas e adaptadas;

Oficina 7: Armazenamento e abertura de unidades conservadoras de material genético (bancos de germoplasma);

14h – Socialização das Oficinas

15h – Mesa de Diálogo com gestores públicos:

Dialogo com as políticas de sementes no semiárido, avanços e desafios para construção de políticas publicas

Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)

Governo do Estado da Paraíba

Secretaria de Agricultura Familiar do Estado da Paraíba

Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea)

Programa Sementes do Semiárido

Embrapa

Dia 16 de outubro, sexta-feira

9h – Atos simultâneos de denúncia em Campina Grande-PB

10h – Feira Estadual das Sementes da Paixão na Praça Clementino Procópio

 

13h – Benção inter-religiosa das Sementes da Paixão

14h – Almoço e retorno das Caravanas.

Assentamento Dom Marcelo em Mogeiro-PB celebra 10 anos de existência e se prepara para a VI Festa das Sementes da Paixão

05/10/2015

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Cerca de 250 agricultores e agricultoras participaram, na tarde deste dia 1º de outubro, da celebração dos 10 anos do Assentamento Dom Marcelo, em Mogeiro-PB. O Assentamento tem cerca de 2.400 hectares, onde vivem cerca de 100 famílias, sendo 70 assentadas e 30 agregadas. A região faz parte da área de atuação do Fórum de Lideranças do Agreste (Folia), uma das dinâmicas microrregionais integrantes da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), uma rede de mais de 300 organizações presente em sete microrregiões do estado que atua em defesa da agricultura familiar agroecológica.

A celebração no Assentamento Dom Marcelo foi conduzida pelo Padre João Maria Conti, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que participou da luta pela terra no assentamento ao lado dos trabalhadores. A missa campal aconteceu em frente à sede da Associação de Moradores do Assentamento.

Banco de Sementes – Segundo Lindalva Antônia de Oliveira, liderança do assentamento, o objetivo da celebração foi, além de lembrar os 10 anos do assentamento, comemorar a implantação, em 2015, do Banco de Sementes Comunitário (BSC) do local. Lindalva tem 54 anos e nasceu e se criou no assentamento, ela conta que seus pais trabalhavam nas terras do antigo fazendeiro: “Foi através da luta pela terra que a gente teve aonde produzir e acesso a uma alimentação saudável. Hoje nosso Banco de Sementes está com 16 sócios, mas praticamente todas as famílias guardam suas sementes em casa, no banco familiar”. A agricultora é guardiã das sementes de milho branco, entre outras.

Ela explica que a data 1º de outubro foi escolhida também para ser o dia da devolução das sementes para serem armazenadas no BSC, que funciona na sede da Associação. “Temos armazenadas aqui mais de 10 variedades de sementes de milho, fava e feijão de vários tipos”, conta. O evento foi considerado ainda uma preparação para a IV Festa Estadual das Sementes da Paixão, que vai acontecer de 14 a 16 de outubro, em Arara e Campina Grande-PB, promovida pela ASA Paraíba. A comunidade ainda não escolheu a sua representação na festa, mas estará presente com outros 300 agricultores e agricultoras em Arara-PB, nos dois primeiros dias de evento. O terceiro dia acontecerá em Campina Grande, com uma Fe ira Estadual de Sementes que deve reunir cerca de 1.000 pessoas.

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Após a missa, houve a apresentação dos alunos da Escola do assentamento, que também leva o nome da data da emissão de posse das terras, 1º de Outubro. Os alunos recitaram poemas e fizeram uma entrada com os alimentos para compor um altar. Em seguida houve a benção das sementes e dos alimentos trazidos. Os sócios do BSC depositaram ainda suas sementes para o plantio do ano que vem. A programação foi encerrada com uma confraternização entre os presentes.

Sementes da Paixão é tema de seminário realizado pela COONAP

01/10/2015

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Guardiões e guardiãs das Sementes da Paixão participaram na última sexta (18), do Seminário para estruturação de Redes de Sementes. O evento aconteceu na sede do Coletivo Unidos no Campo, no Assentamento José Antônio Eufrouzino em Campina Grande. Participaram cerca de 20 agricultores/as dos assentamentos: Belo Monte e Dorcelina Folador do município de Cubati, Cícero Romana, município de Areial, além do José Antônio Eufrouzino, todos os participantes são representantes dos 04 bancos de sementes existentes no Lote 05 da Borborema assessorado pela Cooperativa de Trabalho Múltiplo de Apoio às Organizações de Autopromoção (COONAP), através do contrato de assistência técnica com o INCRA/PB.

A atividade teve como objetivo promover a integração dos bancos de sementes, com o intuito de traçar estratégias de fortalecimento da rede de sementes, bem como iniciar a preparação para a participação dos grupos na VI Festa das Sementes da Paixão que acontecerá de 14 a 16 de outubro.

O seminário iniciou com a apresentação dos participantes, logo em seguida, foi exibido o mapeamento dos bancos de sementes, onde cada representante apresentou o seu banco citando quais as espécies existentes, número de sócios, metodologia de fundo rotativo com as sementes, e apresentaram as perspectivas e desafios encontrados por cada banco. O coletivo unidos no Campo apresentou um vídeo que mostra a forma de trabalhar coletivamente, o qual conta a história do grupo. Após as apresentações foi aberto um momento para trocas de experiências entre os guardiões e guardiãs.

No segundo momento do Seminário, foi abordada a questão da preparação da  VI Festa das Sementes da Paixão, onde ficou encaminhado que os participantes voltariam para suas comunidades com a responsabilidade de articular junto aos demais membros um momento para realizar a discussão acerca da metodologia de participação no dia do ato público da festa. Depois de encaminhado, deu-se início ao momento mais esperado, a troca de sementes entre bancos, onde os assentados falaram sobre a importância e paixão de cada semente trocada. Para as técnicas Aline Valéria Sousa e Ana Cristina Silva responsáveis pela atividade, o evento foi muito importante, pois possibilitou a integração entre os bancos, aumentando assim a diversidade dos bancos de sementes.

A atividade foi encerrada com uma avaliação positiva entre os participantes, onde ressaltaram que o seminário foi o marco inicial importante para o fortalecimento dos bancos de sementes. banco de sementes